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Cartas do Superior Geral

DA GALILÉIA AO MUNDO

O dom e o desafio da missão Sagrada Família hoje

 

 

Saudação


“Paz e caridade com fé por parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. A graça esteja com todos os que amam o Senhor Jesus Cristo com amor incoruptível” (Ef 6,23-24).

Com a saudação intensa e apaixonada de São Paulo aos cristãos de Éfeso abro esta carta dirigida a vós, meus queridos coirmãos. Sim, também nós seguimos a Cristo com amor de discípulos e continuamos a amá-lo com amor incoruptível .

Com a primeira carta ‘Visitar Nazaré. No cotidiano fiéis à consacração’  convidei-vos a refletir sobre aquele laçp de amor que è a consacração com a oferta da nossa vida ao Senhor. Com esta segunda carta ‘Da Galiléia ao mundo. O dom e os desafios da missão Sagrada Família hoje’ convido a todos vós e às vossas Comunidades a aprofundar o tema da missionariedade, outro aspecto normativo que o XVIII Capítulo geral confiou à Congregação para os seis anos de 2007 até 2013.

Adotando o esquema de discernimento da Igreja do Brasil, na primeira parte | ver quero ler convosco a vida da nossa Congregação chamada a ser sempre mais missionária com a Igreja no mundo.

Na segunda parte | julgar convido-vos a retornar com força aos fundamentos da missão: o Evangelho, a Fundadora, a Igreja e, nela, a Congregação hoje.

Na terceira parte | agir solicito-vos a encontrar, à luz das Orientações capitulares, caminhos concretos de ação para atualizar o projeto apostólico local em perspectiva missionária.

Queridos coirmãos, convido-vos então durante este ano 2008-09 a retomar nas mãos com paixão ardente e delicado realismo os horizontes da missionariedade que o XVIII Capítulo geral traça para todos nós e torná-los estímulo evangélico para a vida pessoal e a vida da Comunidade. Sentimos, com efeito de munitas partes a urgência de acordar as consciências, de arrancar a passividade e a indiferência, para verificar o espírito missionário através de uma animação que leve a uma eficaz e generosa cooperação missionária de toda a nossa família.

Creio que seja necessário, portanto, revitalizar o conteúdo de gratuidade absoluta, de solidariedade evangélica, de paternidade espiritual e de testemunho que são as raízes pascais da nossa consagração: anunciamos a experiência evangélica já vivida pela Fundadora, queremos ter a sua mesma bendita intenção de contribuir ’a dar futuro àqueles que não têm futuro’.

Peço aos Superiores locais que, através dos diferentes instrumentos e momentos da nossa formação permanente, sejam os primiero animadores deste trabalho de discernimento comunitário da vontade de Deus.

O meu desejo è que esta Carta possa encontrar no vosso coração e na vossa Comunidade cordial acolhimento para tornar-se um instrumento útil para renovar a nossa resposta fiel e ativa ao chamamento missionário Sagrada Família.

 

 

Primeira parte  |  ver

Lemos a nossa missionariedade

O rosto missionário da Congregação que a Fundadora sonhou nestes anos está se tornando cada vez mais uma realidade. A missão é para nós religiosos da Sagrada família o centro de gravidade que guia a nossa vida. A missão não se identifica com as nossas obras, com as nossas atividades e realizações. É antes a expressão do nosso zelo carismático que atingindo à experiência evangelica já vivenciada pela Fundadora, torna-se socorro e serviço educativo para as crianças, suas famílias e para todos os cristãos para que tenham a vida em Cristo. Através do dom da evangelização, da educação e da promoção humana a Congregação escolheu, em tempos diferentes, de ser missionária em Itália/Suiça, no Brasil e na África.

Uma consciência missionária ligada à vida de cada dia precisa de um grande cuidado em nível formativo, pois a nossa consagração recebeu um respiro eclesial. É a inteira comunidade religiosa e dos irmãos aos quais somos destinados que precisa ser servida, seria ainda ela a sofrer para uma eventual ausência e insufficiência.

Dedicados à nossa Congregação-carisma-missão.

Dedicados é uma palavra intensa, que expressa o laço espiritual e ao mesmo tempo afetivo; diz empenho concreto, diz de um serviço que nasce do amor e alimenta-se de corresponsabilidade, com um coração de filhos. O “ser dedicados” indica uma escolha de vida, não temporária mas permanente, a atenção dirigida à toda a comunidade, às suas obras, e capaz de assumir compromissos concretos em resposta às exigências do lugar e do tempo.

A relação com o Senhor, seja como discípulo seja como apóstolo, è central para a experiência missionária. Trata-se do caminho para tornar-se parte daqueles pequenos e pobres aos quais è oferecida a alegria de compreender os mistérios do Reino (Lc 10, 21-22), para doar a própria vida sabendo-a perder (Lc 9, 23-26; Jo 12, 24-25); para entrar progressivamente na contemplação amorosa e sábia do mistéiro escondido nos séculos em Deus e revelado agora em Cristo Jesus (Ef 3, 14-19), para expressar no serviço aos outros a especificidade do mandato recebido (Lc 22, 24-27. “Quem entre vós è o maior…”); para aprender a tornar-se guia de um outro (Jo 21, 18); educando-se a viver no mundo como quem se sente estrangeiro e peregrino (1 Pt 1, 1).

Missionariedade e território. È necessário lembrar a necessidade de uma comunhão efetiva com a caminhada da Congregação que è a verdadeira interprete das prioridades do nosso serviço apostólico missionário. Portanto o testemunho missionário do religioso è qualificado pelo progressivo concretizar-se da missão que a Congregação lhe confia através da ‘destinação’. Essa consiste antes de tudo na relação que se estabelece com o território. È necessário que cada um de vós entre nele, conhecendo-o e assumidno-o na vida; toda imagem preconstituida da nossa diaconia, toda prefiguração do nosso papel e da nossa missão encontra-se na necessidade de começar a habitar neste território, entre este povo, dando assim forma ao Evangelho e ao Carisma.

Está claro então que não è possível o começo de uma real destinação sem a interior escolha de permanecer na situação; cada maneira de ser, de qualquer tipo, que aceite ou procure ser ‘noutro lugar’ introduz uma divaricação que pode conduziu a obstacular a verdade e a fecundidade do próprio testemunho missionário. Com certeza como missionários faremos a experiência de fadigas e de verdadeiras provações. A raiz da dificuldade pode estar, às vezes, no nosso coração (não nos dedicamos a um estilo de partilha, não queremos ‘andar juntos’, faremos pouco para favorecer um estilo de busca e troca comunitário); às vezes na instituição, sentida como inadequada e incapaz de favorecer um diálogo entre os religiosos.

Também em momentos como estes torna-se decisivo ficar na prova, permanecer enraizados seja na relação com Cristo, seja na pertença à Congregação, seja na relação com os destinatários. Neste modo, podemos não diminuir a nossa dedicação, não assumir atitudes contrastantes, mas carregar sobre nós a contradição para reconciliá-la. Não há nada de mais triste do que permanecer numa tarefa perdendo as suas razões; mas nada de mais feliz do que ganhar de novo a liberdade da oferta de si mesmos depois que as provações tinham posto em risco sua possibilidade.

Qual paixão para a missão? Creio que seja instrutivo escutare a experiência apaixonada de Paulo e a sua vibrante dedicação a Cristo: “É ele que nós anunciamos, advertindo a todo homem, e instruindo-o em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso também me esforço e luto sustentado pela sua poderosa energia, que opera em mim” (Col 1, 28-29); “Ai de mim, se não anunciar o evangelho” (1Cor 9, 16).

As mudanças que afetam o nosso tempo marcaram e marcam profondamente também o rosto do nosso testemunho missionário. Há o risco que  toda comunidade paroquial, educativa-escolástica torne-se modelo de si mesma e que todo religioso construa à sua medida a pastoral. Vemos também o risco de uma énfase sobre a missão, às vezes usamos uma linguagem que continuamente evoca a missionariedade pois somos incapazes de gerir aquela quase parálisi da concreta comunidade/obra em que trabalhamos.

Uma maneira séria com que estas situações podem ser enfrentadas, evitando o risco de entristecimentos ou de frustrações, è com certeza aquela de trabalhar para fazer crescer a colaboração responsável dentro da Congregação inteira. Lembramo-nos de que a missão è vocação da Congregação inteira e não do síngulo religioso.

Consacração e missão. O mistério de Deus que se torna homem dá à vida um valor inédito a se descobrir pouco a pouco, permite de adquirir frente à vida uma atitude de fortaleza e de confiança. Viver como religiosos enraizados ‘simplesmente’ no batismo e na consagração religiosa: este è o coração da nossa vocação! È isso o essencial. A fidelidade a ela nos empenha a apoderar-nos, com consciência e radicalidade, do sentido da experiência consagrada Sagrada Família hoje, a cultivar a consciência de pertencer à Congregação e a acolher a missão na sua globalidade.

Hoje não è fácil escolher de viver o essencial. Nós pensamos que este seja o primeiro serviço à nossa obra de evangelização. Não è fácil permanecer ancorados a uma existência que muitas vezes custa fadiga, está cheia de tensões e de perguntas.

Trata-se de reencontrar o sentido da vida religiosa Sagrada Família: reconhecer o valor absoluto do mistério de Jesus como centro, não descontado, da vida de fé e da Congregação e, com amor e decisão, voltar continuamente a Ele e às experiências que nos permitem viver d’Ele todos os dias

Estamos convencidos de que o compromisso a fomar-nos na consciência missionária nos ajude a experimentar que sem este coração não é possível viver; a reconhecer quantas coisas inúteis na nossa vida de consagração religiosa obscurecem este caminho; a rcompreender sempre de novo que a Palavra, a Eucaristia, a vida sacramental, a oração, os votos, a vida fraterna, a comunhão, a dedicação generosa ao apostolado são o essencial para viver hoje como religiosos e que tudo isso basta para um caminho de santidade. Uma vida que encontra a sua luz na fé e uma fé que não perde o espessor da existência (cf. Visitar Nazaré).

 

 

Segunda parte  |  julgar

Re-lembramos os fundamentos:

Evangelho, Fundadora, Igreja

1. Evangelho

16 Partiram, pois, os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara.

17 Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

18 E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.

19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Matteo 28,16-20).

Deixamo-nos instruir pela Palavra do Evangelho sobre o que está em jogo na evangelização e na missão. A página de Mateus resume e expressa em maneira simples e clara a verdade segundo a qual a Igreja existe para a missão.

O evangelista com esta cena magistral bem construida fecha o seu livro e cumpre o seu propósito de evangelista. O significado deste último encontro de Jesus com os discípulos é de mostrar a intronização definitiva do Ressuscitado como soberano do universo. Este encontro de um lado envia ao passado, ao primeiro encontro de Jesus com os discípulos (4, 18-22); por outro lado abre ao futuro da vida da Igreja, caraterizada pelo compromisso da missão e da presença constante do Senhor. Neste momento inicia a realização do reino definitivo, pois o Filho do homem já mostra-se com toda sua autoridade e é visto pelos discípulos (a predição de Jesus em 24, 30 e a Pilatos em 26, 64 começa já a realizar-se sobre a terra para cumprir-se um dia ‘sobre as nuvens do céu’).

Jesus convoca os discípulos em Galiléia, onde havia iniciado a sua pregação, a Galiléia das nações, sinal da universalidade da salvação que Jesus anunciava. Nesta região tinha também chamado os primeiros discípulos: para Jesus encontrar de novo naquela região os discípulos significa non somente recordar aquele primeiro encontro mas também ter em conta toda a giornada vivida com eles, que compreende momentos muito bonitos mas também o abandono por parte de todos os seus no momento da paixão e morte. Sinal visível daquele momento é que agora os ‘doze’ são... onze. Sim, o grupo traz consiglo uma falta, uma ferida: representam a Igreja, onde a ausência de Judas recorda que todos faliram na fidelidade a Jesus. Apesar disso, o mestre não chama outros discípulos para enviar em missão, mas os mesmos que antes o abandonaram: nesta modo cura a ferida provocada pelo abandono, como também faz quando falando às mulheres em Jerusalem chama os discípulos ‘meus irmãos’.

A missão que agora confia a estes discípulos não é um recomeçar do nada, ignorando quanto aconteceu, mas é a consequência da primeira etapa, é fruto da convicência dos discípulos com Jesus (também o abandono), é renovação do primeiro e definitivo chamamento, que a morte não anulou. O encontro em Galiléia acontece sobre um monte conhecido. Sabemos que o monte na Bíblia é símbolo do encontro com Deus e em Mateus é o lugar de alguns momentos importantes como o primeiro discurso e a transfiguração. Ainda em Mateus sobre um monte Satanas tinha oferecido a Jesus o domínio de toda a terra (4, 8-10). Alí Jesus havia recusado, agora recebe toda a autoridade do Pai, por haver aceite de doar a sua vida em resgate de muitos (20, 28). Ao ver o Ressuscitado os discípulos o reconhecem definitivamente como Deus, adorando-o. No grupo há ainda quem duvide, para indicar que a fé na ressurreição não é uma passagem automâtica, mas um caminho progressivo: a dúvida não etá fora da fé mas dentro da fé, não fora mas dentro da comunidade.

As palavras de Jesus são muito solenes, pois são pronunciadas com a autoridade plena (céu e terra) concedida pelo Pai e tornada visível com a ressurreição. Este último discurso de Jesus aos seus representa uma clara passagem: até agora os discípulos estiveram unidos ao mestre como aqueles que aprendem (isso mesmo significa ‘discípulos’). As últimas palavras de Jesus no evangelho revelam o que determinará a futura relação de Jesus com os seus: agora eles se tornam “enviados”, recebem uma missão a cumprir. Essa de fato é a continuação da tarefa desenvolvida por Jesus; os discípulos devem num certo sentido ajudar a levar até as últimas consequências quanto aconteceu no mundo com Jesus. O Reino que Ele anunciou como presente e eficaz, que consiste na salvação de Deus para todos, eles devem continuar a proclamá-lo presente.  Especificamente a missão entregue por Jesus consiste no ‘fazer discípulas todas as nações’, isto é, trata-se de trasmitir a todos os povos a experiência que eles fizeram de tornar-se discípulos de Jesus, devem convidar e acompanhar todos a fazer a sua mesma experiência de Jesus mestre e Senhor. Fazer discípulos significa chamar ao seguimento, que é a relação íntima e pessoal com a pessoa de Jesus, comunhão de vida com Ele, reconhecido e acolhido como Aquele que determina a forma e o orientamento da vida, é confiânça total nele. Nisto consiste o centro (o objetivo, o significado) da missão: conduzir todos à pessoa de Jesus, convidando a uma escolha livre e pessoas por Ele. Sendo que a autoridade de Jesus é universal, também a estensão da missão é universal. Por isso Jesus começa a anunciar a missão com o particípio grego ‘andando’: se todas as nações são destinatárias do anúncio, os discípulos devem deslocar-se para alcançar as pessoas onde elas se encontram.

Mas esta disponibilidade da missão implica também a disponibilidade a deixar, a não apegar-se a nenhum lugar, pessoa ou atividade: a realização da missão deve ocupar todas as energias e preocupações dos discípulos. Fazer discípulos ‘andando’ significa crer que o caminho é mais importante do que a certeza dos resultados, significa crer que o que se leva é mais importante do que se encontra. Fazer discípulos ‘andando’ significa dispor-se ao encontro de pessoas e culturas diferentes, a criar novos elos em nome da missão recebida. Andar exige a fé daquele que sabe que o Senhor te espera não naquilo que você já alcançou ou construiu, mas no encontro novo com aquele que é diferente, e pode fazer novo também você e o teu seguimento do mestre. Andar, no fundo, significa confiar que a missão que o Senhor te dá não te leva a perder a vida, mas a encontrá-la.

Esta obra concretiza-se em duas maneiras: batizando e ensinando. O batismo realiza e significa o pleno acolhimento de Jesus no coração dos novos discípulos. Baptizar no nome da Trindade pressupõe que tenha sido anunciado e feito conhecer Deus como Pai, Filho e Espírito, e que este anúncio tenha sido acolhido com fé. O batismo insere a pessoa no âmbito da potência de Deus, põe sob a sua proteção, abre à comunhão com Ele, nos torna seus filhos e irmãos. De fato, tornar-se discípulos de Jesus significa ao mesmo tempo sermos introduzidos na comunhão de vida com o Pai e o Espírito.

Esta comunhão, que gera o começo de uma nova vida, exige uma nova maneira de agir e de viver, que Jesus ensinou por muito tempo enquanto estava com os seus primeiros discípulos. Agora, depois da ressurreição, a eles está confiada a missão de comunicar a todos este ensinamento para instrui-los no caminho da vida: para fazer isso eles têm a disposição muitos ensinamentos de Jesus, que Mateus  recolheu e organizou em cinco grandes discursos inseridos no seu livro (cap 5-7: sobre o monte, cap 10: o envio em missão, cap 13: as parábolas, cap 18: a comunidade, cap 24-25: o fim dos tempos). Assim a última página do evangelho convida a retomar o caminho desde o começo, com a diferença que quem leu e escutou o Evangelho, agora é chamado a proclamá-lo aos outros: quem escutou e se tornou discípulo de Jesus (assim pelo menos Mateus espera), agora torna-se anunciador e missionário.

A última frase do discurso de Jesus, que é também a conclusão de todo o evangelho, é diferente da conclusão dos  outros evangelhos e também da idéia que nós temos a partir do ‘histórico’ Lucas (Jesus que sobe ao Céu): Jesus promete de permanecer presente com os seus discípulos até ao fim dos tempos. Ele veio para ser o ‘Deus conosco’ e agora confirma esta sua promessa. Ele está presente nos discípulos/missionários que batizam e ensinam, para chamar todas as pessoas a serem discípulas. Aquele Jesus que pregava na Palestina, o Cristo ressuscitado que aparece aos discípulos e Cristo presente hoje na comunidade que escuta o Evangelho e celebra os sacramentos (também a comunidade mais pequena), são a mesma pessoa e o mesmo mistério.

O fim dos tempos é antecipado no tempo da Igreja e na pregação dos discípulos. O Reino universal de Cristo concretamente manifesta-se na Igreja universal, da qual fazem parte nações diferentes. A comunhão entre Jesus e os discípulos, que Mateus descreve no seu evangelho, não é uma realidade do passado, que podemos simplesmente recordar, mas é o fundamento real da vida da Igreja em todos os tempos e lugares, é a realidade presente hoje na Igreja onde eu vivo.

Hoje , dois mil anos depois, neste lugar de mundo  onde vivo, na comunidade (pequena ou grande) à qual pertenço, sou enviado por Jesus a testemunhar o seu Evangelho, isto é a transmitir aos outros a minha esperiência de ser seu discípulo: esta é a fonte e a razão do meu estar aqui, o desejo de Jesus que todos possam conhecê-lo e acolhê-lo como Senhor da sua vida. Que abismo estre este seu desejo e o meu testemunho d’Ele muitas vezes apagado! Como pôde escolher-me a mim e ao meu pobre amor para com Ele como meio único para chegar a tantas outras pessoas?! Isto, todavia, não me abala, aliás me estimula a dar uma resposta sempre mais generosa e total ao chamamento missionário. Não somo enviados para sermos mestres dos outros, para mostrar as nossas capacidades ou idéias, para realizar obras que falem de nós e dos nossos valores. Somos enviados somente para chamar e convidar a todos para tornar-se discípulos do Senhor.  O batismo que administramos faz entrar na comunhão com Ele e com a Trindade; é o seu ensinamento que devemos viver e ensinar. O exemplo da sua vida (sobretudo do dom supremo como justo sofredor  que recebeu do Pai toda autoridade) ensina-nos que esta ‘missão’ pode-se realizar somente com a adesão do nosso coração e a oferta de toda a nossa vida, sem escluir sacrifício e morte.

Na Galiléia das nossas comunidades Jesus fixa cada dia um encontro conosco. Perdoa as nossas infidelidades e nos confia a missão de levar –com o testemunho da nossa vida– o anúncio da sua salvação a todos os irmãos do mundo.

2. fundadora

S. Paula Elisabete, embora sem explicitar a dimensão missionária e internacional dos seus Institutos que estavam a nascer, deixou-nos nos seus escritos algumas indicações preciosas que hoje a Congregação lê como interpretação do Evangelho da Missão e interpreta à luz da caminhada atual da Igreja.

Em dois textos famosos nos recorda a abertura universal da Congregação com a imagem bíblica da semente.

«Foi mesmo S. José, sabeis, somente ele que pensou, e formou esta Casa, este Instituto... Oh! Não podemos  duvidar disso. Não vedes  também vós a sua proteção e a sua assistência nas graças e benefícios que continuamente nos dá; que diria quase surpreendentes e milagrosos! E se nós respondermos às suas graças e intenções, vereis que este pequeno Instituto tornar-se-á muito grande, muito... Olhai, nós somos como que a primeira semente que S. José plantou neste pequeno Jardim por ele mesmo criado. Se a semente florecerá e dará os frutos que ele desejar, os recolherá e espalhará depois noutros jardins e noutras terras por todo o mundo para a maior glória de Deus e como bênção do Homem... Oh, grande sorte a nossa, grande graça de termos sido escolhidos como seus Filhos e Filhos primogênitos!...

Mas ao mesmo tempo vedes os grandes deveres, as grandes obrigações que estes títulos nos impõem... Parece-vos pouca coisa que dependa o maior ou menos crescimento do Instituto, do nosso êxito, dos nossos comportamentos?... Mas, coragem meus queridos, confiemos em Deus, confiemos em Maria, confiemos em S. José» (regole, p. 205)

«Se estes começos progredirem felizmente, como eu não duvido, e na medida que crescerem as entradas, os sujeitos e os benfeitores, formar-se-á destas primeiras e pequenas sementes um formal Instituto que será depois a fonte e a origem de inúmeras outras que se espalharão no mundo para a maior glória de Deus e a vantagem e felicidade do Homem, pois seu alicerce é a simplicidade, o trabalho e a inocência» (Regole, p. 250)

No texto seguinte a Fundadora nos lembra que, se a educação é o principal ‘dever’ dos religiosos, todavia ela é finalizada à reforma evangêlica da sociedade, inserindo assim a missão específica da Congregação na missão global da Igreja de anunciar a presença do Reino.

«Para alcançar o seu fim específico, os Religiosos da Sagrada Família deverão aplicar-se como a seu dever principal à educação dos pobres filhos do campo, abrindo abrigos nas suas casas aos mais pobres e abandonados entre eles, mantendo-os com suas substâncias; instruindo-os, além que nos sãos princípios de moral e de Religião, na arte agrária de lavrar e cultivar a terra e em todas aquelas artes que lhes diz respeito, e são necessárias para um jovem camponês, para que possa tornar-se um dia bom pai de família e levar entre a gente do campo, com  a reforma dos costumes e com o amor à arte agrária, aqueles benefícios e vantagens, que o Senhor nos seus eternos decretos se propusera com a criação deste Instituto» (Regole, 33-34)

3. Igreja

Ao longo da história da Igraja, a consciência missionária desenvolveu-se através de etapas successivas e uma presença sempre mais ampla e profunda em todas as partes do mundo.  O Concílio Vaticano II, sobretudo com o decreto “Ad Gentes”, ensinou com clareza que cada segmento de Igreja é missionário por sua própria natureza e existe para evangelizar, fazendo da Igreja local o polo propulsor da missão.

O Concílio Vaticano II e os documentos do Magistério sobre este assunto: “Evangelii Nuntiandi” de Paulo VI (1975), “Redemptoris Missio” (1990) e “Novo milenio Ineunte” (2001) de João Paulo II, permitiram de repensar e aprofundar o compromisso do anúncio e do testemunho cristão, e propiciaram uma leitura missionária da Igreja atenta às solicitações do mundo e aos seus desenvolvimentos. Coloco aqui em breve os ganhos mais significativos.

A origem trinitária da missão . A Igreja aparece como o êxito do plano de Deus de tornar os homens participantes de sua vida e de sua glória. A missão é compreendida a partir de Deus.

A inculturação . Superando uma idéia restritiva de “cultura” ligada a uma visão eurocênctrica, a missão da Igreja encontra-se hoje empenhada a estabelecer uma nova relação vital entre Evangelho, que tem um valor universal, e as diferentes culturas. Esta instância foi acolhida por Paulo VI na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi (nº 20). A globalização além do problema da inculturação deve enfrentar os modelos que a economia, a finança e os meios de comunicação estão a impor a todos os povos.

O diálogo interreligioso . Frente à espansão das outras religiões está posto o problema se as religiões não cristãs sejam ou não autênticas experiências de salvação. A Redemptoris Missio fixa a razão da missão no fato que não se pode não transmitir aos outros a riqueza da qual participamos por graça (nn. 11 e 40); afirma que o anúncio do Evangelho tem seu fundamento na convicção de que Jesus Cristo é o único mediador da salvação e que, portanto, ele não é alternativo mas complementar ao diálogo interreligioso, sempre necessário para descobrir “os gérmenes do Verbo” presentes em todas as religiões e para colaborarmos todos ao bem da humanidade.

De modo particular, Redemptoris Missio precisou que a missão da Igreja é única, mas exige tarefas e atividades diferentes como a “missio ad gentes”, o cuidado pastoral, a nova evangelização e embora afirme que toda a Igreja é missionária, alguns dos seus membros consagram-se, de maneira radical, à “missio ad gentes”.

Os Intitutos religiosos encontram-se em primeira fila neste empreendimento. A partir da leitura da Redemptoris Missio e Vita Consecrata, a convicção de que a missão da Igreja hoje deve saber redescobrir a dimensão evangeliza-dora do carisma de cada instituto religioso e um renovado compromisso dos bispos a tornar-se guardas e promotores do carisma da vida consacrata, acompanha-se à lembrança de como “a fé se reforça donando-a”, assim a missão reforça a vida consacrata, lhe dá um novo entusiasmo e novas motivações, solicita sua fecundidade (VC 78).

A nossa Congregação, antes com a abertura das comunidades brasileiras e depois com aquelas moçambicanas, abriu-se progressivamente à missão universal da Igreja e sente-se plenamente enxertada nela. Em todo lugar da sua ação sente-se em comunhão com as Igrejas locais, que –por su vez– se reconhecem interpeladas à missionariedade.

Para o aprofundamento, envio aos documentos do Magistério (AG, EM, RM, Sínodos ou  Congressos conti-nentais missionários, Documento Aparecida 2007, Convênho eclesial de Verona 2007, Carta dos Bispos do Moçambique 2008, A evangelização da nossa família: a missionariedade e o missionário “Sagrada Família” p. Edoardo Rota, Martinengo 2005).

 

 

Terceira parte  |  agir

Projetamos a nossa ação

Missionária:

Documento final nn. 14, 15, 23, 24

Proponho para a reflexão pessoal e comunitária três passagens da segunda parte do Documento final do XVIII Capítulo geral. Como já na Carta anterior seguem a esses números algumas perguntas e peço para que sejam refletidas nos incontros comunitários de formação permanente (Reunião de família).  Na conclusão do ano toda Comunidade será chamada a partilhar o fruto da sua reflexão através de um texto a ser entregue ao Superior geral.

Documento final XVIII Capítulo geral, n 14

A missionariedade total, internacional e inculturada, define o rosto da Congregação hoje. O religioso da Sagrada Família é um missionário que fez a experiência da paternidade amorosa de Deus; é capaz de encarnação, de solidária inculturação, é rico de compaixão, perito no diálogo com o mundo, com as religiões, com as culturas. Vive a missão como uma dimensão da vida, que envolve toda a pessoa e toda a sua atividade, seja qual for a parte do mundo em que se encontrar, mesmo quando continua a sua missão no tempo da velhice, da fragilidade e da doença.

A > Por isso o Capítulo afirma a necessidade que todos os religiosos estejam conscientes de que a missionariedade total faz parte do estilo do Religioso Sagrada Família, e isso comporta o crescimento da disponibilidade a ser enviado por Deus seja onde for, através da mediação dos superiores.

B > A internacionalidade comporta que todas as três áreas geográficas cresçam na sua vida e na expressão do apostolado Sagrada Família rumo uma equilibrada consistência de obras e de pessoas, e que em cada área exista uma certa itinerância. Cada parte da Congregação (Itália/Suíça, Brasil, Moçambique) coloque à disposição seus membros com generosidade e segundo as suas possibilidades, para um empenho missionário além do horizonte da Região.

C > O religioso da Sagrada Família realiza a sua missionariedade total declinando sempre o serviço sócio-educativo com a pastoral da espiritualidade, isto é, a atenção a educar à existência e à presença de Deus na vida, privilegiando o relacionamento com as pessoas.

para o discernimento pessoal e comunitário

1. Quais são os sinais concretos da tua/vossa missão que manifestam concretamente a experiência da amorosa paternidade de Deus?

2. Quais são os sinais concretos que espressam a tua/vossa consciência da missionariedade total?

3. Como vês/vedes a atual divisão em três partes da Congregação? Pode-se melhorar no equilíbrio das obras e pessoas? A tua região-Comunidade è disposta a sustentar com o envio de seus membros as outras partes de Congregação?

4. Quais sinais mostram a dimensão espiritual do serviço educativo e pastoral da tua Comunidade?

 

Documento final XVIII Capítulo geral, n.15

[Destinatários da missionariedade SF] O Capítulo renova a consciência de que a Fundadora, com a experiência do Gromo, fez um caminho de conversão evangélica para com os pobres, que escolheu como destinatários da sua ação apostólico-educativa.

> Isso empenha todos os religiosos e as comunidades a orientarem sua apostolicidade missionária tendo sempre presente os pequenos, os pobres, os “sem futuro” e os impedidos de habitar o mundo. Ao mesmo tempo o Capítulo tem consciência de que a escolha dos pobres faz parte de uma missionariedade aberta a todos, que nos envia como religiosos da SF a todos os homens e mulheres do nosso tempo, que são de diversas maneiras, necessitados de socorro educativo e pastoral de quem testemunha a paternidade e a maternidade de Deus para todos.

para o discernimento pessoal e comunitário

1. A prática da pobreza individual e comunitária como visibiliza concretamente o rosto de Cristo pobre?

2. A quais classes sociais pertencem os destinatários da tua/vossa missão?

3. Como o pobre interpela tua/vossa vida?

4. No vosso contexto social e cultural quais são os pobres e os últimos que a Fundadora prefereria?

Documento final XVIII Capítulo geral, n. 24

[Orientações para o caminho apostólico futuro] A Congregação leva a peito o desenvolvimento sempre mais amplo e qualificado das suas obras. Nestes anos ela realizou muitos desenvolvimentos apostólicos. Portanto, não se encontra hoje em condições de poder ampliar aquilo que tem ou de abrir novas obras, mas deve empenhar-se em potencializar e desenvolver a partir de dentro, aquilo que já está fazendo, qualificando carismaticamente sempre mais os conteúdos e os métodos da sua ação apostólica de evangelização e a sua proposta educativa, segundo uma projetualidade assumida e compartilhada, valorizando as iniciativas das Comunidades religiosas, sem perder de vista os critérios da missionariedade e do equilíbrio entre as Comunidades e Regiões.

para o discernimento pessoal e comunitário

1. Confrontando a atividade apostólica da tua/vossa Comunidade no 1998 e no 2008 quais diferenças quantitativas e qualitativas encontras?

2. De que maneira a vossa Comunidade pode empenhar-se a ‘desenvolver por dentro’ o que está a fazer?

3. De que maneira poderia-se ainda mais qualificar carismaticamente os conteúdos e os metodo da vossa ação pastoral?

4. Quais critérios a minha Comunidade deve ter presente para responder às necessidades locais?

 

Documento final XVIII Capítulo geral, n. 23

[Economia] A vida dos religiosos SF e o anúncio do Evangelho cerioliano requerem meios simples e encarnação no contexto; todavia precisam de solidariedade e de sustento econômico[…]. A responsabilidade sobre a economia é in primis do Superior local, que é ajudado nisto pelo ecônomo e por todos os religiosos. Os recursos de que a missão precisa para se sustentar e se desenvolver devem ser o fruto de:

> uma escolha de auto-manutenção buscada no lugar;

> uma partilha entre as várias comunidades e a Congregação, segundo o princípio evangélico da comunhão dos bens.

para o discernimento pessoal e comunitário

1. Como pode-se sustentar economicamente o empenho missionário da Congregação?

2. Como melhorar a gestão dos recursos disponíveis?

3. Quais passos concretos podem ajudar as Regiões a caminhar rumo uma autonomia econômica?

4. Qual é a parte que a Comunidade deve assumir para sustentar a realização de um projeto?

Conclusão

A nossa Fundadora imaginava que a sua Congregação teria ultrapassado os confins das nações  difundindo-se como “anúncio de bênção para o homem e glória sempre mais visível de Deus”. E sonhava que fosse S. José o artífice da semeia do nosso carisma no mundo. (P.I.Cerioli, Scritti pag. 251-252).

Para cada um dos religiosos da Congregação anunciar o Evangelho significa anunciar o carisma Sagrada Família: todo apostolado é missão e toda missão é anúncio e testemunho que o carisma Sagrada Família é uma bênção para todo homem e toda mulher, quando é vivido em comunhão com os caminhos das Igrejas locais e em diálogo com a cultura e as pessoas concretas às quais somos enviados.

Ser missionários neste mundo representa porém um desafio. Para estarmos preparados é preciso assumirmos estas atitudes: examinar tudo com discernimento, não ficar surpreendidos pela diversidade, cultivar a audácia da fé: “quem quiser salvar a sua vida por amor de mim perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mt 16, 25). Tudo deve ser jogado fora por Cristo e o Evangelho. Nos passos da Fundadora somos chamados sempre e de novo a colocar os pobres no centro da missão pois eles são os amigos de Jesus que se tornou um deles.

Peço que, à luz das passagens do Documento final estudadas, possais tomar de novo nas mãos o vosso projeto missionário local e atualizá-lo para que possa continuar a ser um instrumento de animação da vossa vida e missão.

Durante a minha Visita canônica às Comunidades poderemos juntos refletir e partilhar o caminho que estais a fazer também com a ajuda do vosso projeto missionário local

Emfim, o caminho de cada Comunidade poderá transformar-se em oração e partilha no Retiro espiritual anual de toda parte de Congregação.

Queridos coirmãos, agradeço-vos de todo o coração por aquilo que sois e que fazeis. Abençoo ao Senhor por vós e peço que vos sustente com uma coragem e uma força grande, para que vivendo neste mundo testemunheis com luminosa simplicidade que não possuis nada e que não  tendes nada de mais importante a levar do que a experiência que com muita força vos une ao coração de Deus.

Rogo ao Espírito de Jesus que vos ajude a transformar sempre as tribolações que acompanham a vida dos missionários não em decepção, mas em fé viva e em esperança inquebrantável.

A fé e a esperança são sólidas pois estão fundamentadas em Deus e não simplesmente sobre o que nós experi-mentamos nalgum momento. Então, se estivermos alicerçados em Deus, o futuro está aberto e seguro.

p. Michelangelo Moioli

Superior geral

 

Martinengo, aos 4 de novembro de 2008

145 ° Aniversário de Fundação da Congregação

VISITARE NAZARET

Nel quotidiano

fedeli alla consacrazione

Orientamenti attuativi del XVIII Capitolo generale

per l’anno 2008

SALUTO

Cari confratelli voglio farmi vicino a voi in questi giorni mentre ci apprestiamo a celebrare la festa liturgica della santa Fondatrice, a farne conoscere e amare la figura e la sua bella testimonianza ecclesiale. È per tutti noi una festa densa di ricordo e di significato se pensiamo al gesto ecclesiale che ha riconosciuto come modello di santità la figura della nostra fondatrice e che continua ad interpellare le nostre coscienze a riqualificare la nostra relazione con Gesù, nostro amato.

Davanti ai miei occhi - mentre sto scrivendo questa lettera - ho presente ciascuno di voi, cari confratelli che ho incontrato personalmente e comunitariamente nella mia visita alle vostre comunità dell'Italia/Svizzera, del Brasile e del Mozambico dopo la mia elezione a Superiore generale. Rivedo i vostri volti: molti gioiosi e sereni della propria vita; altri chiusi e preoccupati per il futuro; altri disillusi! Penso al vostro sincero desiderio di crescere alla sequela del Signore ma anche alla fatica a imparare la “grammatica di Dio”, cioè disporre il cuore alla fedeltà della consacrazione, alle cose semplici e quotidiane e viverle con l'intensità. Mi sento interpellato dalle vostre comunità religiose: in tutte ho respirato frammenti del vangelo della Cerioli, insieme a fatiche nella collaborazione e nella comunione; porto nel cuore la vostra gente, alla quale date la vostra vita e il vostro tempo!

PERCHÉ VI SCRIVO

La scelta che presiede questo scritto è motivata dal fatto che il Superiore generale con il suo Consiglio hanno come prima missione quella di attuare il programma capitolare e su questo saranno verificati alla fine del loro mandato.

Il Capitolo, con la collaborazione di tutte le comunità e i religiosi, ha fatto una lettura profonda del nostro cammino di Congregazione e della situazione attuale. Si è rispecchiato nelle fonti vive della nostra Vita Religiosa Sacra Famiglia e ha offerto alla Congregazione delle indicazioni concrete per il cammino personale e comunitario del sessennio, organizzate in tre grandi capitoli: la vita religiosa, la missionarietà, il governo. Il tutto è compendiato nel Documento Finale: “Li inviò a due a due”; bussola delle nostre scelte, strumento di condivisione dei nostri progetti, aiuto per la nostra conversione.

ATTUARE IL PROGRAMMA DEL CAPITOLO.

Con questa lettera il Superiore generale vuole offrire a tutti i religiosi e comunità un mezzo semplice e pratico per attuare il programma capitolare, proponendo alla Congregazione tutta, per ogni anno, alcune priorità su cui riflettere e comunicare, per sostenere la formazione di base e permanente, e per attualizzare sempre meglio il Progetto apostolico locale in riferimento alla nuova coscienza missionaria di Congregazione, con una verifica concreta dei passi, delle difficoltà e delle prospettive.

Questa lettera è rivolta a ciascuno di voi personalmente e comunitariamente, come si conviene ad amici. Infatti amici vi considero, e come fratelli consegnati dal Signore, perché ascoltandolo insieme, rinnoviamo la nostra consacrazione, facciamo crescere l'amore per i fratelli, serviamo generosamente le persone affidate.

PRIORITÀ PER IL 2008

Il Capitolo ha osservato che a fronte di significativi passi circa la nostra identità carismatica e la nostra missione specifica nella Chiesa missionaria, è carente in noi l'entusiasmo per il carisma Sacra Famiglia, per la missione specifica (evangelizzare educando nella Chiesa missionaria) e il senso di appartenenza (è bello essere religioso della Sacra Famiglia). Come arginare l’arte – oggi diffusa – di una mediocrità incapace di azzardi, di trasporti ed affetti, di tenuta nella prova e far vedere che la fiducia nella amorevole paternità di Dio sta all’inizio, al centro e alla fine dell’avventura carismatica della nostra vita? Come maturare una fede cristallina in cui c’è tutta la lucidità di una libertà che azzarda pregiudicata se stessa per la benedizione di molti, una passione e il desiderio della missione che è capace di novità, freschezza e fedeltà, una mente che non si lascia sfiorare né intimidire dalla prova alla quale siamo inevitabilmente sottoposti?

Lo stesso Capitolo, riprendendo le consegne lasciate dall’ex Superiore generale, propone come cammino per rinnovare questi valori in primo luogo il recupero gioioso della pratica della consacrazione, dei voti, della vita comunitaria (Rota Edoardo, Relazione sullo stato della Congregazione. Un cammino da continuare, pag. 60. Luglio 2007).

Mi sembra opportuno indicare per l'anno 2008 come prioritario nel primo passo dell'attuazione del Capitolo i numeri 6.10.11 del capitolo I del Documento finale: “Ritorno al vangelo e alla pratica della vita religiosa”.

Il numero 6 ci riporta alla fonte della nostra consacrazione, quando chiede di ritornare all’esperienza di fede e alla nostra spiritualità, quando ci invita a recuperare il senso della consacrazione come dono di noi stessi per realizzare la nostra prima missione: essere testimoni di Dio che è dono di amore; quando ci richiama alla centralità pratica della Parola di Dio nella nostra vita quotidiana; quando infine ci raccomanda di recuperare non solo il senso teorico di tutto ciò (sul quale è anche facile concordare) ma soprattutto la pratica (che si verifica non sulle parole ma sull’agire).

Il numero 10 ci ricorda come la nostra consacrazione non è fine a se stessa ma si esprime nell'apostolato. Così l'apostolato è autentico quando nasce dalla gratitudine verso Dio, quando visibilizza il dono generoso, senza risparmio alcuno di noi stessi a Dio, quando è un dolce richiamo al primato di Dio nella vita di tutti; in una parola, quando è frutto di un cuore contemplativo.

Il numero 11 ricorda a tutti come le belle intenzioni nel cammino della crescita umana e religiosa non bastano: abbiamo bisogno di mezzi. La tradizione della Chiesa e della Congregazione crede che la principale mediazione per il cammino di fede viene dalla fede di persone concrete, che aiutano i fratelli più con l'esempio che con le parole, più con il sostegno che con la critica, più indicando gli ideali veri che giudicando gli sbagli. Nella comunità religiosa chi ha anche il dovere di questa responsabilità verso i fratelli è il Superiore locale, il quale in questo modo è anche un servitore qualificato dall'applicazione del Capitolo. Nel senso che se il Superiore non crede e non vive nel cuore ciò che la Congregazione propone, gli altri strumenti molto difficilmente potranno realizzare il loro obiettivo.

Si tratta di partire per questo cammino.

E come Gesù da Nazaret, “dove era stato allevato” (Lc 4,16), incominciò a percorrere le strade della Palestina per poi incamminarsi risolutamente verso Gerusalemme e portare a termine la sua missione salvifica, così noi, dall'incontro con il Cristo Risorto impariamo ad accogliere la grande rinuncia al cuore narcisistico e autoreferenziale, per assumere il  profilo pasquale della nostra consacrazione tale assunzione comanda di ritornare nei luoghi della nostra missione, la nostra Nazaret: le parrocchie, i centri giovanili, ricreativi sportivi, i centri educativi scolastici, la scuola universitaria e professionale, i seminari; visibilizzando con la nostra crescita nel nascondimento, la rinuncia al mondo e l’assunzione gioiosa del carisma Sacra Famiglia.

Durante questo cammino porto con me anche le domande che sono state nel mio cuore in questi tempi. Le raccolgo così: Signore dove vuoi condurre questa Congregazione che "tu hai creata” (S. P. E. Cerioli) e che mi hai affidato?

Signore che cosa vuoi che io faccia per questi confratelli, perché tutti possano essere felici, contenti di essere tuoi amici e servitori, senza dover andare a cercare “al di fuori della nostra famiglia” luoghi per sentirsi appagati?

Come posso vivere la mia fragilità insieme a quella dei miei confratelli in modo che non sia ostacolo all'avvenire del tuo regno, ma manifestazione della tua grazia che si prende cura e si realizza nella debolezza?

Come devo “leggere” il fatto che qualcuno ti abbandona, che qualcun altro lascia la propria vocazione, oppure non sia sincero davanti a te e finga davanti agli altri?

Con voi davanti agli occhi non mi sento abbattere, ma allargare il cuore perché mi sento vicino la Fondatrice, Gesù, voi confratelli, la gente.

Queste domande sono una tappa necessaria per incontrare davvero Dio, per incontrare in verità se stessi, per apprezzare la vicinanza dell'altro.

Nella festa della Fondatrice sento di affidarle questi interrogativi e di invocare la sua materna intercessione perché ci ottenga lo spirito del discernimento e il coraggio di convertire il cuore.

VISITIAMO NAZARET

Nazaret è una cifra teologica importante per la storia di Gesù e per la lettura carismatica che ne fa la Fondatrice. Gli accadimenti e le storie che si intrecciano a Nazaret – l’annunciazione, l’arrivo dall’Egitto, la crescita di Gesù, l’episodio di Gesù dodicenne, la partenza per il ministero, l’inaugurazione del ministero, il ritorno da maestro, la nuova famiglia – diventano il luogo della relatività che Dio accetta per assumere, nell’amore, la nostra condizione umana e salvarla. Segnalo il testo “Il Vangelo della santa Famiglia”, Queriniana 2006 come prezioso strumento per accostarsi individualmente e comunitariamente alla meditazione e alla comprensione sempre più viva dei misteri di Nazaret.

Icona biblica. Mt 2,19-23

Morti i persecutori, con Dio che ha continuamente vegliato sulla Santa Famiglia, Giuseppe con il bambino e sua madre venne ad abitare a Nazaret. A Nazaret non accade nulla di straordinario, tutto scorre secondo il ritmo della vita e della tradizione. In questo contesto di semplicità e umiltà, di obbedienza alle leggi della creazione e della rivelazione mosaica, Gesù cresce attraversando le prime tappe della vita: l’infanzia, l’adolescenza, la gioventù. Matteo non ci dice nulla della vita di Nazaret, ma questo silenzio è essenziale: Gesù apprende ad essere uomo, apprende a riconoscere la volontà di Dio, impara ad ascoltare una chiamata speciale. La legge dell’apprendimento, del tempo, dell’esperienza è la grande lezione di Nazaret, dell’incarnazione. Nella sua missione, Gesù non propone una maniera stravagante di essere e di esistere, ma un cammino profondamente umano, che Egli cominciò a percorrere nel clima famigliare e spirituale della casa di Nazaret. Sappiamo come noi tutti siamo influenzati per la vita intera dalla educazione che abbiamo ricevuto nei primi anni di vita. Credere nell’incarnazione significa credere che Gesù imparò ad essere mite e umile di cuore, imparò ad ascoltare la volontà di Dio e ad obbedirvi, imparò a rinunciare alla sua volontà egoistica per disporsi a compiere la volontà del Padre. Imparò e non ricevette questo insegnamento dall’alto, come per miracolo. Se è così per Gesù, lo può essere anche per noi.

La Fondatrice e il carisma

Vorrei però con voi lasciarmi provocare da ciò che ci rammenta la Fondatrice a riguardo della vocazione alla vita Sacra Famiglia e alla necessità di visitare frequentemente la casa di Nazaret, per apprendere alla scuola della Santa Famiglia lo stile della nostra testimonianza/missionarietà.


Come mai proprio Nazaret?

- Perché Nazaret, ci ricorda la Fondatrice, è l’habitat appassionato e lunghissimo di Gesù (30 anni) in cui impara la verità dell’umano, impara a vivere nell’ordinarietà e nella particolarità delle situazioni, ad assumere il gioco normale degli sviluppi e delle relazioni, il dovere di lavorare, di sapere, di apprendere, di obbedire; e impara a fidarsi di Dio.

- Perché dopo aver scoperto con Maria Addolorata di quale incandescenza è l’amore di Dio (l’esperienza della sua maternità rigenerata dallo Spirito e abilitata a diventare madre di “molti figli”), santa Paola Elisabetta risale a Nazaret dove scopre la paternità nella figura di San Giuseppe e la maternità di Dio nella persona di Maria. «Quale sarà il fondamento e la base di questo nuovo ‘edificio’ perché possa crescere e fiorire alla maggior gloria di Dio, per la salute delle nostre anime ed a vantaggio del prossimo? È la Santa Famiglia. In tutti gli incontri, in tutti gli avvenimenti -sia prosperi che avversi- la vita di Gesù, Giuseppe e Maria, la loro condizione comune e povera, le loro occupazioni, le loro fatiche, ci forniranno abbondante materia d’esempi e d’istruzione. Seguiamoli e dimoriamo spesso ora alla grotta di Betlemme, ora per le montagne della Giudea, per le strade d’Egitto e per quelle di Gerusalemme, ora con Gesù nell’orto degli olivi, e ovunque per incoraggiarci alle prove e ai sacrifici […]

Seguiamoli e dimoriamo spesso sul Calvario in compagnia di Maria Vergine Addolorata per imparare come si deve soffrire quando veramente si ama Dio.

Viviamo infine della vita di questi tre Personaggi; ricopiamo in noi stessi i loro sentimenti, entriamo nelle loro disposizioni, seguiamo le loro inclinazioni, amiamo ciò che essi amarono, odiamo ciò che essi odiarono, non rallegriamoci che di ciò per cui essi si rallegrarono».

- Nazaret diventa il luogo del progetto amorevole di Dio che qui inizia e prende consistenza nel “sì” di Maria e in quello fedelissimo, silenzioso e continuo di Giuseppe, come quando “destatosi dal sonno, fece come gli aveva ordinato l’angelo del Signore e prese con sé la sua sposa” (Mt 1,24). Soavemente le Costituzioni al n. 92 ci rammentano: “Il silenzio che Gesù si impose, l’esempio di Maria che meditava in cuor suo i misteri divini, la silenziosa accettazione della volontà di Dio da parte di Giuseppe, sono per i religiosi della Sacra Famiglia un invito continuo per un arricchimento interiore”.

- Perché la nostra Fondatrice ci racconta che la vocazione alla vita religiosa Sacra Famiglia è una ‘gran grazia’, cioè un grande regalo del Signore, prima ancora che lo potessimo meritare. La ‘grazia della vocazione’ non cancella la nostra debolezza, la nostra fragilità, finanche il nostro timore nel seguire Gesù, ma ci sollecita a ‘diventare semplici’ per riconoscere sempre chi è l’autore e il Signore della nostra vocazione. Esemplare è l’invito a visitare frequentemente la casa di Nazaret: “questo, vedete bene, è il luogo nel quale le nostre novizie dovranno dimorare, per apprendere il prezzo del sacrificio, lo spirito dell’obbedienza, la bellezza della virtù, la felicità e la semplicità della vita nascosta, e infine il luogo dove sarà possibile creare veri modelli di grandi originali (P. E. Cerioli, Del noviziato).

La glossa più autorevole a questo invito della Fondatrice è data dalle Costituzioni al capitolo X: Con la Fondatrice alla scuola di Nazaret. Umiltà/semplicità/nascondimento/laboriosità/abnegazione, articoli 86-99. Una pacata e attenta meditazione di questi testi, forse un po’ colpevolmente dimenticati, ci aiuterebbe a colorare la nostra vita, a volte stinta e un poco accidiosa, e a ricordarci che la contemplazione del mistero della crescita di Gesù ci invita ad accogliere con gratitudine il mistero della nostra stessa crescita che talora sperimentiamo come il dramma del crescere che, inevitabilmente, comporta un impercettibile ma reale morte di qualcosa a qualcosa. E’ quanto recita l’articolo 99 delle Costituzioni a riguardo della costante e necessaria mortificazione del religioso della Sacra Famiglia che attraverso l’abnegazione della volontà e il lavoro continuo impara a morire all’uomo vecchio per vivere secondo lo Spirito della libertà dei figli di Dio.

La nostra Nazaret

Quello che la pagina di Nazaret ci trasmette, proprio in un tempo che è disattento alle piccole cose, che irride alle piccole abitudini per l’euforia delle “grandi cause”, che passa volentieri oltre gli adempimenti ordinari della vita civile e religiosa, è questa fedeltà nel minimo, è questa lealtà verso noi stessi nella ferialità dei compiti, è questo fervore nel lavoro quotidiano, è questa fedeltà alle consegne della nostra consacrazione senza evaderle, è questo sentire che Dio veglia instancabilmente sulla nostra storia prendendosi anticipatamente cura di noi. Sappiamo come oggi però sia difficile vivere consegnati a Dio nel servizio ai fratelli secondo questa misura. Le scelte radicali della nostra vita non risuonano come rilevanti. Forte è la minaccia di una cultura che non riconosce più alla vita il suo valore e il suo significato vocazionale, che promuove un carattere sperimentale della vita con conseguente privatizzazione e frammentazione del racconto personale e l’assunzione di strategie minimali che stemperano in piccoli e fugaci momenti di eccitazione le grandi passioni per la vita. Assistiamo ad un individualismo crescente con una connotazione narcisistica e virtuale che non concede il giusto valore al sacrificio sensato, alla disciplina dei comportamenti personali, alla fiducia nell’altro, alla obbedienza, alla castità e alla povertà; all’invasione dell’esteriorità chiassosa del mondo mediatico, all’imborghesimento invasivo della vita comunitaria con una distanza crescente tra il tenore di vita delle nostre comunità religiose e il vivere comune delle persone semplici.

Le nostre abitudini, le sconfitte della nostra vita, lo scoraggiamento, la sfiducia, la fatica di cambiare, la paura della difformità, il peso del passato, ci possono condurre indubbiamente a concludere che una esistenza nuova è impossibile, che ogni impegno in tal senso è fatica sprecata.

La lezione di Nazaret invece ci porta al luogo del silenzio, condizione delle grandi crescite, dove impariamo a riconoscere che nel cuore del nostro cuore opera l’energia depositata in noi dallo Spirito del Padre. Così il cuore può diventare la sede grande delle nostre accoglienze semplici, la sede forte, integra e delicata in cui diciamo a Dio: scelgo Te, cammino con Te.

La parola autorevole del Capitolo, sulla scia della lezione di Nazaret, ci riporta alla necessità di ritornare al centro della nostra consacrazione per ricercare e riscoprire la fragranza di quel limpido legame, dentro il quale ci sentiamo accolti, perdonati, riconosciuti nella trasparenza del nostro desiderio, mediante il quale ci vediamo strappati agli affanni della nostra realizzazione assoluta. Allora “ogni nostro servizio di apostolato, carità, accettato in obbedienza allo Spirito, riceverà vigore ed efficacia proprio dalla fedeltà alla nostra consacrazione religiosa” (Cost. 15). Per questo è necessario custodire e far crescere quotidianamente la relazione con il Signore (la lectio della Parola), curare l’amicizia e la simpatia con i fratelli, ben sapendo che l’esempio della mia fedeltà favorisce quella dei fratelli (Cost. 50), che la mia prima missione è la comunità (Cost. 84); mantenere uno sguardo contemplativo sul mistero della vita, sulla vocazione, sul mondo.

Aver cura della relazione, per renderla sempre più vera, profonda e autentica, libera, è l’impegno necessario per qualificare la nostra missionarietà e l’efficacia educativa della nostra paternità spirituale. Me lo conferma la gioia che ho provato e che provo, vivendo con i miei confratelli soprattutto quando ho il coraggio di andare a fondo nella relazione, nell’approfondire la mia amicizia. Quando ho il coraggio di far sì che il nostro vivere insieme non sia cameratismo, ma veramente fondato sull’amicizia.

Me lo conferma il bene che ho ricevuto attraverso profonde amicizie sia con uomini che con donne, che ultimamente mi hanno disposto ad un amore più personalizzato e autentico verso tutti.

Me lo conferma anche lo scoprire l’importanza di diventare in primo luogo amico di me stesso, per sapermi rispettare e ascoltare, in verità e misericordia.

Me lo conferma anche il desiderio che mi anima di intrattenere un’amicizia intima e personale con Cristo Gesù. E’ bello scoprire nel vangelo che anche Gesù, dalla nascita alla morte, è stato un uomo di relazione, unito costantemente al Padre, come ci racconta soprattutto il vangelo di Giovanni. Però, nello stesso tempo, donava molta importanza alle persone. Amava tessere amicizie fedeli e profonde. Il vangelo di Marco ci fa vedere come Gesù, in ogni suo passo e azione, discorso o miracolo, libera la relazione delle persone che ha davanti. E lui stesso si libera nella relazione, perché c’è tutto un evolversi e un aprirsi di Gesù verso gli altri.

E’ gioia, ancora, scoprire come santa Paola Elisabetta Cerioli ha vissuto in maniera fedele e appassionata, tutte le sue relazioni: con Dio, con il marito e il figlio, con le guide spirituali e le sue consorelle, con le orfane che ha accolto nel suo palazzo.

La cura della relazione sostiene e incoraggia una maniera di essere e di vivere più contemplativa, fa sì che gli altri e le cose siano ricevuti con disponibilità, attenzione e delicatezza, con compassione e gratitudine. Ci vuole per questo tempo e disponibilità; ci vogliono ritmi diversi di vita. Tutto il contrario della indifferenza e della superficialità verso le quali ci spinge la società del profitto e del consumo.

Da questa visione esce una prospettiva di fede che ci aiuta  a dare il giusto peso alle crisi senza ritenerle irrimediabili, a crescere nella umanizzazione dei consigli evangelici e a far fiorire la vita in fraternità.


CHE COSA POSSIAMO CAMBIARE

Lo scopo di questa lettera non è di ribadire ideali con i quali tutti concordiamo teoricamente, ma di indicare un passo da compiere effettivamente, nella pratica, tutti insieme, nelle tre aree geografiche della Congregazione e rendere possibile così uno scambio aperto e costruttivo sugli stessi contenuti. Per questo propongo di seguito delle domande/verifiche che desidero che tutte le comunità affrontino, poco per volta, a livello spirituale nei tempi della preghiera/meditazione, e a livello esistenziale nei momenti di riunione/scambio. Chiedo che entro l’appuntamento annuale degli esercizi spirituali nelle rispettive aree si possa consegnare da parte di ogni comunità il frutto della riflessione e la condivisione dei passi concreti fatti. Per questo il tema degli esercizi spirituali per l’anno 2008 è auspicabile che converga sul tema consacrazione e missione.


dal documento finale capitolo I

RITORNO AL VANGELO E ALLA PRATICA DELLA VITA RELIGIOSA

La gioia e la responsabilità della Consacrazione

[n. 6] La Congregazione cresce sempre più nella consapevolezza del prezioso dono ricevuto con il carisma, riconosciuto una volta di più dalla Chiesa attraverso la canonizzazione della Fondatrice (16 maggio 2004) e, inoltre, perché la sua presenza nella storia degli uomini sta diventando sempre più missionaria, internazionale, inculturata. Tuttavia la cultura mondana e borghese che ci circonda e la ‘divisione’ del cuore fanno spesso dimenticare e ‘sbiadire’ la consacrazione a Dio del religioso Sacra Famiglia.

ð Il Capitolo richiama l’esercizio dell’incontro quotidiano con la Parola di Dio, meditata personalmente e comunitariamente nella Lectio divina  come fonte di rinnovamento della risposta filiale a Dio e dell’offerta di sé nell’apostolato.

ð Per questo motivo il Capitolo riconosce come necessario recuperare e irrobustire il senso e la ‘pratica’ della vita religiosa Sacra Famiglia, che è la condizione per far crescere la missionarietà internazionale e inculturata al servizio della quale si pone la reinterpretazione del governo.

ð Riteniamo necessario recuperare il senso della Consacrazione come donazione di noi stessi a Dio, con una ‘nuova’ assunzione dei voti e della vita fraterna. Ciò ci permette di attuare il nostro primo compito di religiosi: far vedere il primato di Dio con l’ascolto della Parola, con la celebrazione dell’Eucaristia e la vita fraterna.

ð Vediamo la necessità di non addomesticare le parole profetiche del vangelo per adattarle ad un comodo stile di vita. Riconosciamo l’urgenza di tornare all’essenziale della nostra esperienza di fede e della nostra spiritualità.


La Consacrazione: quali segni concreti dicono che la cultura borghese/mondana (cioè gli aspetti non evangelici del nostro mondo) sta deturpando la nostra consacrazione? Cosa è necessario fare per recuperare la pratica della VR? Ci stiamo adattando ad uno stile di vita comodo? Cosa ci fa dire di sì o di no? Cosa è l’essenziale della nostra scelta di vita? Come si esprime nel nostro stile di vita? Come la Parola di Dio diventa concretamente fonte di rinnovamento della nostra Consacrazione e apostolato?


[n. 10] I buoni piani pastorali parrocchiali e i seri impegni di soccorso e cooperazione internazionale (adozioni a distanza, volontariato, ecc…), con i lungimiranti ed impegnativi progetti educativo-istruttivi (scuola da 0 a 25 anni; scuola per la famiglia; case famiglia; scuola come cooperazione internazionale progressiva ed efficace; centri di formazione professionale; centri di aggregazione giovanile e di ascolto, convitti, case per ferie, parrocchie e oratori, centri di accoglienza e spiritualità; centri di recupero e spiritualità mariana) sono espressioni apostoliche che richiamano la dimensione contemplativa della nostra vita; la sola condizione che ci permette di esprimere la priorità dell’essere, il primato di Dio sulla fretta e la nevrosi del fare.


L’apostolato: quali segni indicano che l’apostolato tuo/della comunità è il frutto maturo della fede, della gratitudine a Dio? Con quali segnali concreti esprime il dono personale di sé? Cosa ti dice che richiama ai destinatari il primato di Dio? E quali segni concreti indicano che l’apostolato non è così?


[n. 11] Un ruolo importante per far crescere una coscienza più profonda della VR e della missionarietà internazionale e inculturata è quello svolto dal Superiore locale.

ð Egli ha un ruolo centrale nella trasmissione degli Orientamenti del Capitolo per sostenere il compito del Superiore generale col proprio Consiglio.

Inoltre egli ha il compito di:

ð ‘Custodire’ il senso della VR SF dei suoi religiosi e della comunità tutta;

ð ‘Servire’ i fratelli soprattutto con l’ascolto. In Vita fraterna in comunità si dice che il superiore svolge il servizio di maturazione delle singole persone, il servizio della vita fraterna e rinnova lo slancio missionario. Grazie al servizio del Superiore la comunità cresce nella missionarietà vivendo il valore dell’amore reciproco (Gv 13,35).

ð ‘Suscitare’ un consenso sempre più ampio attorno alle dinamiche della VRSF

ð Per fare ciò si avvale degli strumenti codificati nella nostra tradizione, di cui il Capitolo ribadisce l’importanza, come la preghiera comunitaria, la Riunione di Famiglia, la S. Messa carismatizzante e il dialogo personale con ogni religioso.


Il Superiore: come esercita il suo servizio di ascolto? I religiosi valorizzano e si dispongono a questo servizio? Come suscita il consenso circa i valori della VRSF? I religiosi collaborano a questa azione? Come propone e dinamizza gli strumenti codificati nella tradizione SF (preghiera comunitaria, RF, MC?) Come i religiosi rispondono a queste proposte? Come utilizza il dialogo personale aperto e franco per costruire vera fraternità? Come i religiosi dialogano in comunità e fuori?

CONCLUSIONE

Carissimi confratelli, l’orizzonte e le mete indicateci dal Documento Finale del XVIII Capitolo ci incoraggiano ad intraprendere con solerzia un cammino di conversione che sarà foriero di felice accrescimento della coscienza missionaria per la vita dei singoli, delle comunità e dell’intera Congregazione. Per questo imploriamo fiduciosamente con spirito filiale la nostra amata Fondatrice perché ci sostenga e vegli sul nostro cammino.

p. Michelangelo Moioli

Superiore generale

 


21 gennaio 2008