III domingo Ordinário - Ano C
Evangelho - Lc 1,1-4;4,14-21
1Muitas pessoas já tentaram escrever a história
dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
2como nos foram transmitidos
por aqueles que, desde o princípio,
foram testemunhas oculares e ministros da palavra.
3Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso
de tudo o que aconteceu desde o princípio,
também eu decidi escrever de modo ordenado
para ti, excelentíssimo Teófilo.
4Deste modo, poderás verificar
a solidez dos ensinamentos que recebeste.
Naquele tempo:
4,14Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito,
e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.
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Batismo - Ano C
Evangelho - Lc 3,15-16.21-22
Naquele tempo:
15O povo estava na expectativa
e todos se perguntavam no seu íntimo
se João não seria o Messias.
16Por isso, João declarou a todos:
'Eu vos batizo com água,
mas virá aquele que é mais forte do que eu.
Eu não sou digno de desamarrar
a correia de suas sandálias.
Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
21Quando todo o povo estava sendo batizado,
Jesus também recebeu o batismo.
E, enquanto rezava, o céu se abriu
22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus
em forma visível, como pomba.
E do céu veio uma voz:
'Tu és o meu Filho amado,
em ti ponho o meu bem-querer.'
Reflexão
Celebrando a festa do Batismo de Jesus temos a possibilidade de refletir também sobre o nosso. Por primeiro devemos entender bem que o batismo de Jesus é diferente do nosso. O batismo de Jesus era “judaico” (Jesus era judeu) e não “cristão” (o apelativo “cristão” será utilizado pela primeira vez só depois da morte de Jesus: At 11,26). Um elemento que nos ajuda a compreender é o do Espírito Santo que desce sobre Jesus só depois do batismo (Lc 3,21b-22a). O nosso batismo representa a entrada no povo santo de Deus (a Igreja), que significa começar a ser parte da comunidade cristã; aquilo de Jesus representa à assunção da sua missão (devemos nos lembrar que naquele momento a Igreja ainda não existia). Para entender bem isso precisa analisar o último versículo do Evangelho de hoje (v.22b): “E do céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer»”. Essa voz se dirige a Jesus e revela a sua identidade: “Filho” (ou seja, Filho de Deus, portanto significa que Jesus é Deus!). Pelos hebreus “Filho de Deus” significava “enviado/ungido por Deus”, “servo de Deus” (pelos hebreus “servo de JHWH” era um dos títulos mais altos), uma pessoa a quem Deus confiava uma missão (ou uma pessoa que fazia/realizava a vontade de Deus) e na Bíblia (hebraica) é o Rei que é considerado “Filho” de Deus. Se o Rei é “Filho” de Deus podemos entender porque os discípulos interpretaram isso como “Filho de Davi”, ou seja, um messias político, triunfante que através da luta armada devia libertar Israel e restaurar o reino de Davi. O evangelista Mateus nos explica que ser “servo de JHWH” significa libertar Israel numa maneira muito mais profunda: “[...] expulsou os espíritos e curou todos os doentes, [...] «Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças»” (Mt 8, 16-17). O profeta Isaías, na segunda leitura, nos dá outras informações: “Ele não clama nem levanta a voz, [...] Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; [...]” (Is 42,2-3). A missão de Jesus não trouxe uma “revolução” política, mas começando pela transformação das relações humanas (o serviço, a partilha), trouxe uma “renovação” de todos os âmbitos da sociedade que começa nos corações das pessoas para depois difundir-se “em todas as direções”. Neste sentido é muito bonito o refrão do salmo: “Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!” (Sl 28,11b). No hebraico a palavra paz (shalom), não é somente ausência de guerras, mas também plenitude de vida e de salvação, perfeição, alegria, o bom êxito em todas as iniciativas, realização dos desejos. Portanto se com o batismo nos tornarmos membros da Igreja e filhos adotivos de Deus por meio de Jesus Cristo e se “Filho” significa “enviado/ungido”, nós também temos a mesma missão de Jesus, ou seja, somos chamados a ser continuadores da sua missão: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, [...]” (Mt 28,19). O recém-nascido veio nos trazer a noticia mais linda: todo homem e toda mulher são “missionários” do amor. Jesus veio trazer o rosto de Deus como Pai (Abbá) e nos pede de continuar a difundir essa boa nova. A vida da nossa fundadora Santa Paula Elisabete foi uma continua concretização dessa boa nova; ela compreendeu que também o homem mais pobre na terra é amado por Deus e gastou a sua vida levando para os mais pobres e esquecidos (os camponeses) esse rosto e esse amor. Concluo com algumas palavras do papa Francisco que ajudam a compreender o significado de ser batizados. Se “não é a mesma coisa caminhar com Ele ou caminhar tateando” (Evangelii Gaudium, n.266), saber que Jesus caminha, fala, respira e trabalha conosco deveria acender em nós “uma paixão por Jesus e simultaneamente uma paixão pelo seu povo” (Evangelii Gaudium, n.268), comprometendo-nos “na construção de um mundo novo, lado a lado com os outros” (Evangelii Gaudium, n.269). “È preciso nos considerar como que marcados a fogo por essa missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar” (Evangelii Gaudium, n.273). Anunciar “a Boa-Nova, não só com palavras, mas, sobretudo, com uma vida transfigurada pela presença de Deus” (Evangelii Gaudium, n.259), testemunha que “ao início do ser cristão, [...] há o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá á vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Evangelii Gaudium, n.7).
IV de Advento - Ano C
Evangelho - Lc 1,39-45
39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito, exclamou:
'Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!'
43Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu.'
Reflexão
Daqui a cinco dias será Natal e a liturgia, depois de ter nos apresentado o precursor João Batista (segundo e terceiro domingo do Advento), nos oferece a possibilidade de meditar sobre a figura da mãe de Deus, como última etapa em preparação ao nascimento de Jesus.
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III de Advento - Ano C
Evangelho - Lc 3,10-18
Naquele tempo:
10As multidões perguntavam a João: 'Que devemos fazer?'
11João respondia:
'Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem;
e quem tiver comida, faça o mesmo!'
12Foram também para o batismo cobradores de impostos,
e perguntaram a João:
'Mestre, que devemos fazer?'
13João respondeu:
'Não cobreis mais do que foi estabelecido.'
14Havia também soldados que perguntavam:
'E nós, que devemos fazer?'
João respondia:
'Não tomeis à força dinheiro de ninguém,
nem façais falsas acusações;
ficai satisfeitos com o vosso salário!'
15O povo estava na expectativa
e todos se perguntavam no seu íntimo
se João não seria o Messias.
16Por isso, João declarou a todos:
'Eu vos batizo com água,
mas virá aquele que é mais forte do que eu.
Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas
sandálias.
Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
17Ele virá com a pá na mão:
vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro;
mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.'
18E ainda de muitos outros modos,
João anunciava ao povo a Boa-Nova.
Reflexão
As leituras de hoje, terceiro domingo do Advento contêm expressões de festa: “Canta de alegria cidade de Sião; rejubila povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração cidade de Jerusalém!” (Sf 3,14); “Exultai cantando alegres habitantes de Sião” (Sl 12,6); “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos” (Fl 4,4). Só faltam duas semanas ao Natal e por isso a liturgia nos convida a alegrar-nos porque Jesus está chegando. Por nossa parte “que devemos fazer?” (Lc 3,10).
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