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feliz natal
Misericordiae Vultus
juce

Evangelho do dia

IX dom ord ano B

Evangelho - Mc 3,20-35

Naquele tempo:
20Jesus voltou para casa com os seus discípulos.
E de novo se reuniu tanta gente
que eles nem sequer podiam comer.
21Quando souberam disso,
os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo,
porque diziam que estava fora de si.
22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém,
diziam que ele estava possuído por Belzebu,
e que pelo príncipe dos demônios
ele expulsava os demônios.
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas:
'Como é que Satanás pode expulsar a Satanás?
24Se um reino se divide contra si mesmo,
ele não poderá manter-se.
25Se uma família se divide contra si mesma,
ela não poderá manter-se.
26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e
se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído.
27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte
para roubar seus bens, sem antes o amarrar.
Só depois poderá saquear sua casa.
28Em verdade vos digo:
tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, 
como qualquer blasfêmia que tiverem dito.
29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo,
nunca será perdoado,
mas será culpado de um pecado eterno'.
30Jesus falou isso, porque diziam:
'Ele está possuído por um espírito mau'.
31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos.
Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo.
32Havia uma multidão sentada ao redor dele.
Então lhe disseram:
'Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura'.
33Ele respondeu:
'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?'
34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor,
disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos.
35Quem faz a vontade de Deus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe'.
Palavra da Salvação.
REFLEXÃO
As leituras de hoje nos apresentam uma “personagem” chamada de serpente na primeira leitura (Gn 3,9-15) e de Belzebu e Satanás no Evangelho (Mc 3,20-35). Hoje em dia a maioria das pessoas não acredita mais nela, mas Papa Francisco na pregação do dia 11 de Abril de 2014, nos advertiu: “Algum de vós, talvez possa dizer: «Mas Padre, que antigo és: falar do diabo no século XXI!». Mas olhai que o diabo existe! O diabo existe. Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingênuos! Devemos aprender do Evangelho como se faz a luta contra ele”. Paulo VI no seu discurso de 15 de Novembro de 1972, foi ainda mais radical: “Quem não acredita no demônio se situa fora da Igreja” e João Paulo II falando sobre os bispos que não acreditam no diabo, afirmou: “Quem não acredita no demônio não acredita no Evangelho”. Portanto falando do diabo não se deseja dar-lhe mais importância do que o próprio Jesus, mas somente ajudar a combatê-lo, porque como disse Padre Amorth, exorcista da diocese de Roma, fundador e presidente honorário da Associação Internacional de Exorcistas: “A ação de Satanás está mais presente especialmente quando se pensa que ele não existe”. Com a ajuda de dois santos, gostaria de comentar um versículo do Evangelho de hoje: Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa” (v.27). O ponto de partida é que, como foram tentados Adão e Eva (se veja o versículo 13 da primeira leitura), assim todo homem é tentado pelo demônio. Também Santa Paula Elisabete foi tentada; assim ela escreve: “Tenho inclusive outra tentação que me mantém inquieta e muitas vezes agitada; o demônio, porque, não pode ser outro senão ele me coloca na mente: «Se Deus te abandonasse, retirasse de você a sua graça, o que você faria na difícil estrada em que estás se encaminhando?» [...] Esta tentação tenho provado de modo intenso desde quando comecei a acolher a minha primeira filha [...] ma este pensamento: «você poderia se arrepender», me colocava em uma grande incerteza e inquietação todas as vezes que devia aceitar alguma”. Portanto, como reconhecer o bom espírito do mau espírito? Santo Inácio de Loyola pode nos ajudar: Nas pessoas que se vão purificando intensamente dos seus pecados e caminham no serviço de Deus nosso Senhor de bem a melhor [...] é próprio do mau espírito causar tristeza e remorsos de consciência, levantar obstáculos e perturbá-las com falsas razões para as deter no seu progresso. E é próprio do bom espírito dar-lhes coragem, forças, consolações e lágrimas, inspirações e paz, facilitando-lhes o caminho e desembaraçando-o de todos os obstáculos, para as fazer avançar na prática do bem [...] como na consolação é o bom espírito que nos guia e aconselha mais eficazmente, assim na desolação nos procura conduzir o mau espírito, sob cuja inspiração é impossível achar o caminho que nos leve a acertar. Vamos fazer mais um passo. O que fazer durante a tentação/desolação? Deixemos que seja Santo Inácio a responder: No tempo da desolação não se deve fazer mudança alguma, mas permanecer firme e constante nos propósitos e determinações em que se estava no dia anterior a esta desolação, ou nas resoluções tomadas antes, no tempo da consolação”. Do mesmo modo fez Santa Paula: apesar de ser tentada, ela continuou firme acolhendo outras meninas, até que de fato cessou essa tentação. Nossa Senhora nas aparições de Medugorje falou de cinco pedrinhas para derrotar “Golias”: o terço, a Eucaristia, a Bíblia, o jejum e a confissão mensal. Na aparição de 25 de Maio de 2015 Nossa Senhora disse: “Rezai e crede no poder da oração”. O terço é uma oração muito poderosa; é o sinal que nós pertencemos a Maria, Aquela que nos leva a Jesus (São Bernardo de Claraval disse: “Ad Jesum per Mariam”). Onde está Maria o diabo foge, porque ela é a mulher que esmagará a cabeça da serpente (Gn 3,15). Como dizia São Louis Orione: “Uma Ave Maria e para frente”, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, [...]” (2Cor 4,14). Se estamos com Jesus e Maria, nada e ninguém poderá nos amarrar.

IX dom ano B

Evangelho - Mc 3,20-35

Naquele tempo:
20Jesus voltou para casa com os seus discípulos.
E de novo se reuniu tanta gente
que eles nem sequer podiam comer.
21Quando souberam disso,
os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo,
porque diziam que estava fora de si.
22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém,
diziam que ele estava possuído por Belzebu,
e que pelo príncipe dos demônios
ele expulsava os demônios.
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas:
'Como é que Satanás pode expulsar a Satanás?
24Se um reino se divide contra si mesmo,
ele não poderá manter-se.
25Se uma família se divide contra si mesma,
ela não poderá manter-se.
26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e
se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído.
27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte
para roubar seus bens, sem antes o amarrar.
Só depois poderá saquear sua casa.
28Em verdade vos digo:
tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, 
como qualquer blasfêmia que tiverem dito.
29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo,
nunca será perdoado,
mas será culpado de um pecado eterno'.
30Jesus falou isso, porque diziam:
'Ele está possuído por um espírito mau'.
31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos.
Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo.
32Havia uma multidão sentada ao redor dele.
Então lhe disseram:
'Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura'.
33Ele respondeu:
'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?'
34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor,
disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos.
35Quem faz a vontade de Deus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe'.
Palavra da Salvação.
REFLEXÃO
As leituras de hoje nos apresentam uma “personagem” chamada de serpente na primeira leitura (Gn 3,9-15) e de Belzebu e Satanás no Evangelho (Mc 3,20-35). Hoje em dia a maioria das pessoas não acredita mais nela, mas Papa Francisco na pregação do dia 11 de Abril de 2014, nos advertiu: “Algum de vós, talvez possa dizer: «Mas Padre, que antigo és: falar do diabo no século XXI!». Mas olhai que o diabo existe! O diabo existe. Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingênuos! Devemos aprender do Evangelho como se faz a luta contra ele”. Paulo VI no seu discurso de 15 de Novembro de 1972, foi ainda mais radical: “Quem não acredita no demônio se situa fora da Igreja” e João Paulo II falando sobre os bispos que não acreditam no diabo, afirmou: “Quem não acredita no demônio não acredita no Evangelho”. Portanto falando do diabo não se deseja dar-lhe mais importância do que o próprio Jesus, mas somente ajudar a combatê-lo, porque como disse Padre Amorth, exorcista da diocese de Roma, fundador e presidente honorário da Associação Internacional de Exorcistas: “A ação de Satanás está mais presente especialmente quando se pensa que ele não existe”. Com a ajuda de dois santos, gostaria de comentar um versículo do Evangelho de hoje: Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa” (v.27). O ponto de partida é que, como foram tentados Adão e Eva (se veja o versículo 13 da primeira leitura), assim todo homem é tentado pelo demônio. Também Santa Paula Elisabete foi tentada; assim ela escreve: “Tenho inclusive outra tentação que me mantém inquieta e muitas vezes agitada; o demônio, porque, não pode ser outro senão ele me coloca na mente: «Se Deus te abandonasse, retirasse de você a sua graça, o que você faria na difícil estrada em que estás se encaminhando?» [...] Esta tentação tenho provado de modo intenso desde quando comecei a acolher a minha primeira filha [...] ma este pensamento: «você poderia se arrepender», me colocava em uma grande incerteza e inquietação todas as vezes que devia aceitar alguma”. Portanto, como reconhecer o bom espírito do mau espírito? Santo Inácio de Loyola pode nos ajudar: Nas pessoas que se vão purificando intensamente dos seus pecados e caminham no serviço de Deus nosso Senhor de bem a melhor [...] é próprio do mau espírito causar tristeza e remorsos de consciência, levantar obstáculos e perturbá-las com falsas razões para as deter no seu progresso. E é próprio do bom espírito dar-lhes coragem, forças, consolações e lágrimas, inspirações e paz, facilitando-lhes o caminho e desembaraçando-o de todos os obstáculos, para as fazer avançar na prática do bem [...] como na consolação é o bom espírito que nos guia e aconselha mais eficazmente, assim na desolação nos procura conduzir o mau espírito, sob cuja inspiração é impossível achar o caminho que nos leve a acertar. Vamos fazer mais um passo. O que fazer durante a tentação/desolação? Deixemos que seja Santo Inácio a responder: No tempo da desolação não se deve fazer mudança alguma, mas permanecer firme e constante nos propósitos e determinações em que se estava no dia anterior a esta desolação, ou nas resoluções tomadas antes, no tempo da consolação”. Do mesmo modo fez Santa Paula: apesar de ser tentada, ela continuou firme acolhendo outras meninas, até que de fato cessou essa tentação. Nossa Senhora nas aparições de Medugorje falou de cinco pedrinhas para derrotar “Golias”: o terço, a Eucaristia, a Bíblia, o jejum e a confissão mensal. Na aparição de 25 de Maio de 2015 Nossa Senhora disse: “Rezai e crede no poder da oração”. O terço é uma oração muito poderosa; é o sinal que nós pertencemos a Maria, Aquela que nos leva a Jesus (São Bernardo de Claraval disse: “Ad Jesum per Mariam”). Onde está Maria o diabo foge, porque ela é a mulher que esmagará a cabeça da serpente (Gn 3,15). Como dizia São Louis Orione: “Uma Ave Maria e para frente”, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, [...]” (2Cor 4,14). Se estamos com Jesus e Maria, nada e ninguém poderá nos amarrar.

SS. trindade

SS. TRINDADE
 
Evangelho - Mt 28,16-20
 
Naquele tempo:
16Os onze discípulos foram para a Galiléia,
ao monte que Jesus lhes tinha indicado.
17Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele.
Ainda assim alguns duvidaram.
18Então Jesus aproximou-se e falou:
'Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra.
19Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos,
batizando-os em nome do Pai
e do Filho e do Espírito Santo,
20e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!
Eis que eu estarei convosco todos os dias,
até ao fim do mundo'.
Palavra da Salvação.
Reflexão
São Paulo na primeira carta aos Coríntios escreveu: “Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido” (1Cor8,12). Ninguém, somente com as próprias forças, pode compreender o mistério do Deus uno e trino e somente quando estaremos em comunhão perfeita com Deus no paraíso, conheceremos as coisas perfeitamente. Santo Agostinho deu esta definição da Trindade: “O Pai é o amante, o Filho é o amado e o amor é o Espírito Santo”. Acho que para tentar de explicar a Trindade não precisa fazer muitos raciocínios; a Bíblia não nos apresenta Deus através de definições, mas o apresenta contando as experiências das pessoas que experimentaram na vida a presença viva de Deus. A inteligência ajuda a compreender, mas para conhecer verdadeiramente o nosso Deus, precisa vive-lo no dia-a-dia. Se eu me perguntasse: “Quem é Deus?”, com certeza não responderia com uma definição, mas contando a presença de Deus na minha vida. Se eu respondesse: “Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai é a primeira pessoa da Trindade porque não procede de outra pessoa, mas é o princípio das outras duas; a segunda pessoa chama-se Filho porque é gerada pelo Padre; a terceira pessoa é o Espírito Santo, que procede do Padre e do Filho”, eu daria uma linda definição de Deus, mas ficaria algo que não se meche com a minha vida, ou seja, não seria algo que me pertence. E quando falamos com as pessoas, elas reconhecem se estamos contando algo que temos vivido ou que temos somente lido. Acho que as leituras de hoje nos ajudam a compreender um pouco desse mistério. A primeira leitura do livro do Deuteronômio (4, 32-34.39-40), lembra que Deus é Aquele que fez maravilhas no Egito, diante dos olhos do povo de Israel; portanto Deus é Aquele que age na vida dos homens. Na segunda leitura (Rm 8,14-17), São Paulo fala do Espírito Santo que “se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus” (v.16), portanto Deus age no mundo por meio do Espírito Santo. No Evangelho (Mt 28,16-20), São Mateus fala de Jesus como Aquele que está conoscotodos os dias,
até ao fim do mundo” (v.20b), portanto Deus se revela em Jesus. As leituras de hoje nos dizem que Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, se meche com a vida dos homens. O Pai se revela por meio do Filho (“Quem me vê, vê o Pai” –Jo 14,9-), que age com a potência do Espírito Santo (“Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra” –Mt 28,18-). Portanto, as leituras de hoje nos dizem que Deus se conhece na “prática” da vida quotidiana. Você quer conhecer a Deus? Comece a experimentar o seu abraço, a sua ternura e o seu amor nos acontecimentos mais simples e ordinários e você compreenderá a realidade de Deus na maneira mais clara possível, porque se tornará algo que se encarna em profundidade. Na definição de Santo Agostinho que escrevi no começo, há três palavras particulares: amante, amado e amor. Eis aqui a chave para “compreender” a Trindade: o amor. “Deus é amor” escreveu São João (1Jo 4,8), mas ele aprendeu isto vivenciando Deus na vida de todo dia. Quando uma pessoa experimenta verdadeiramente na sua vida a presença de Deus, ela acha a melhor definição possível. “Para mim Deus é Aquele que me abriu os olhos” poderia dizer são Paulo, “para mim Aquele que transformou a minha maternidade” poderia dizer Santa Paula Elisabete, “para mim Aquele que me ensinou a verdadeira riqueza” poderia dizer são Francisco de Assis... Agora cabe a você olhar para a sua vida e achar a melhor definição possível de Deus... 

III dom. de Páscoa - B

Evangelho - Lc 24,35-48

Naquele tempo:
35Os dois discípulos contaram 
o que tinha acontecido no caminho,
e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
36Ainda estavam falando,
quando o próprio Jesus apareceu no meio deles
e lhes disse:
'A paz esteja convosco!'
37Eles ficaram assustados e cheios de medo,
pensando que estavam vendo um fantasma.
38Mas Jesus disse: 'Por que estais preocupados,
e porque tendes dúvidas no coração?
39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!
Tocai em mim e vede!
Um fantasma não tem carne, nem ossos,
como estais vendo que eu tenho'.
40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés.
41Mas eles ainda não podiam acreditar,
porque estavam muito alegres e surpresos.
Então Jesus disse:
'Tendes aqui alguma coisa para comer?'
42Deram-lhe um pedaço de peixe assado.
43Ele o tomou e comeu diante deles.
44Depois disse-lhes:
'São estas as coisas que vos falei
quando ainda estava convosco:
era preciso que se cumprisse tudo
o que está escrito sobre mim
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos'.
45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos
para entenderem as Escrituras,
46e lhes disse: 'Assim está escrito:
O Cristo sofrerá 
e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
47e no seu nome, serão anunciados
a conversão e o perdão dos pecados
a todas as nações, começando por Jerusalém.
48Vós sereis testemunhas de tudo isso'.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
Nesse terceiro domingo do Tempo da Páscoa, a liturgia continua nos propondo os relatos sobre a ressurreição de Jesus. O evangelista Lucas por duas vezes escreve que os discípulos não reconheceram Jesus (24,37.41). A incapacidade de reconhecer o Ressuscitado é uma característica comum a todos os quatro Evangelhos (Mt 28,17; Mc 15,11.13; Lc 24,11.15.16.25.37.41; Jo 20,14; 21.4b). Porque essa dificuldade? Porque o “discípulo amado” logo acreditou (Jo 20,8)? Porque as mulheres conseguiram reconhecê-lo (Mt 28,8-10; Mc 15,9-10; Lc 24,9-10; Jo 20,18), mas os outros discípulos não? Não se trata somente de uma “cegueira física”, mas também “espiritual”. Para entender isto é preciso esclarecer a relação entre o verbo “ver” e o verbo “crer”. Nunca se encontra na Escritura uma relação “automática” (ver     crer). Hoje, segundo a mentalidade “científica” é necessário ver para crer (muitas vezes a multidão pediu a Jesus um sinal para crer -Mt 12,39; 16,4-), mas Jesus não acreditava naquelas pessoas que criam só por ter visto um milagre. Nunca se encontra na Escritura uma fé que antecipa a ação de ver (crer    ver). As mulheres vão ao sepulcro para ver um corpo morto e não o Ressuscitado (Mt 28,1; Mc 16,1-2; Lc 24,1; Jo 20,1). A relação que existe entre o verbo ver e o verbo crer é de “interdependência” ou “circularidade”, ou seja, não se pode ver sem crer, nem se pode crer sem ver. Pareceria uma frase sem significado, mas um elemento pressupõe o outro. Isto porque existem dois níveis da vista e dois níveis da crença. O primeiro nível da vista (A1), são “os olhos” que vêem o sepulcro vazio, o jardineiro (Jo 20,14-15) e o viandante (Lc 24,15-16). O segundo nível da vista (A2), consegue penetrar aquilo que já se vê indo além, para ver as Escrituras na perspectiva do sofrimento (o Filho do homem devia sofrer -Lc 24,26-27-) e na cruz um dom. O primeiro nível da crença (B1) pressupõe um discipulado, uma afeição, uma amizade (Mt 27,55-56) que não termina com o “escândalo” da cruz (Jo 20,11 em particular o verbo chorar). O segundo nível da crença (B2), pode ser sintetizado com a profissão de fé de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Agora se pode resumir o “movimento ver-crer”. O ver físico (A1), suportado pela afeição e pelo carinho para com o Mestre (B1), chega a ver o significado “escondido” daquilo que já se vê (A2, por exemplo o discípulo amado -Jo 20,8-): o resultado é o crer (B2) preenchido pelo “ver” (A1+B1+A2), que chega até a profissão de fé. Portanto Tomé não é uma figura negativa (“o incrédulo”), mas é o protótipo de todo cristão: Dídimo significa gêmeo, ou seja, nosso gêmeo na fé. Esse “movimento” que tentei descrever é o “caminho” da nossa fé. A curiosidade, a educação cristã recebida ou a necessidade são esse “ver físico” (A1); uma vez que se começa a “ficar” com o Senhor (através da eucaristia, da S. Missa, da confissão, da catequese), nasce uma afeição, um apego, um laço (B1); essa “relação” faz nascer uma fidelidade (uma fé, porque você pode conhecer uma pessoa somente freqüentando-a), que consegue ver mais além (A2); essa maneira de ver que consegue penetrar “o mistério” leva para a profissão de fé (B2).
 
ver               crer
 
A mesma coisa aconteceu na vida de Santa Paula Elisabete. A educação que ela recebeu de sua mãe (A1), foi a base da sua relação com Deus (B1), essa fé lhe permitiu de ler “o mistério” da morte dos filhos e do marido (A2), chegando a fazer da sua vida uma profissão de fé através da vida religiosa (B2). Os discípulos não conseguiram reconhecer imediatamente o Ressuscitado, porque antes deviam cumprir um percurso que só eles podiam fazer (Deus nunca força a nossa liberdade). A mesma coisa nos é pedida hoje: temos a testemunha dos Evangelhos, o exemplo dos santos, a “escola da eucaristia”... Cabe a nós começar a caminhar para que o nosso ver e o nosso crer se tornem uma só coisa: uma fé que com todo o coração, com toda a alma e com toda a força (Dt 6,5), exclame: “Meu senhor e meu Deus!” (Jo 20,28).

V Quaresma ano B

Evangelho - Jo 12,20-33

Naquele tempo:
20Havia alguns gregos
entre os que tinham subido a Jerusalém,
para adorar durante a festa.
21Aproximaram-se de Filipe,
que era de Betsaida da Galiléia, e disseram:
'Senhor, gostaríamos de ver Jesus.'
22Filipe combinou com André,
e os dois foram falar com Jesus.
23Jesus respondeu-lhes:
'Chegou a hora
em que o Filho do Homem vai ser glorificado.
24Em verdade, em verdade vos digo:
Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo;
mas se morre, então produz muito fruto.
25Quem se apega à sua vida, perde-a;
mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo
conservá-la-á para a vida eterna.
26Se alguém me quer servir, siga-me,
e onde eu estou estará também o meu servo.
Se alguém me serve, meu Pai o honrará.
27Agora sinto-me angustiado. E que direi?
`Pai, livra-me desta hora!'?
Mas foi precisamente para esta hora que eu vim.
28Pai, glorifica o teu nome!'
Então, veio uma voz do céu:
'Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!'
29A multidão que lá estava e ouviu,
dizia que tinha sido um trovão.
Outros afirmavam:
'Foi um anjo que falou com ele.'
30Jesus respondeu e disse:
'Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim,
mas por causa de vós.
É agora o julgamento deste mundo.
Agora o chefe deste mundo vai ser expulso,
32e eu, quando for elevado da terra,
atrairei todos a mim.'
33Jesus falava assim
para indicar de que morte iria morrer.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
No Evangelho deste domingo ressoa o convite de Jesus: “Se alguém me quer servir, siga-me [...]” (Jo 12,26). Portanto, pode-se resumir nesta maneira o percurso “quaresmal” que a liturgia nos propõe: Aliança (1º domingo) – Lei (2º domingo) – Transfiguração (3º domingo)  à Escolha (4º domingo)  à Seguimento (5º domingo). Se temos percorrido as “etapas” dos primeiros três domingos e no quarto escolhemos Deus, agora estamos prontos para nos tornar discípulos de Jesus, ou seja, seus seguidores. Mas o que irá fazer Jesus? Para onde irá? Jesus é o Filho de Deus, portanto irá fazer algo de “espetacular”, “milagroso”, que “restaurará” Israel... Nada de tudo isso: Jesus irá morrer pregado na cruz. Que decepção! Um percurso de cinco semanas para terminar com um “incidente de percurso”! A tentação de abandonar tudo e ir embora é muito forte, mas tem dois versículos no Evangelho de hoje, pela qual vale a pena ficar e continuar neste caminho: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Pai, glorifica o teu nome!” (Jo 12,23.28). O Evangelista João está nos dizendo que a Paixão e a morte de Jesus não são algo de negativo, mas de glorioso! A cruz não é um “incidente de percurso”, mas é a maneira melhor em que Jesus podia terminar a sua existência terrena! Compreendendo isso, conseguiremos ficar aos pés da cruz na sexta-feira santa, conseguiremos esperar contra toda esperança no sábado santo e no dia de Páscoa conseguiremos “ver” o Ressuscitado. Na primeira leitura, Deus diz: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança (A). Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração (B); serei seu Deus e eles serão meu povo. pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado (C)” (Jr 31,31.33.34).
A) Jesus na cruz estipulou a nova e eterna aliança: nova porque levou para a perfeição aquela antiga e eterna porque Jesus se ofereceu uma vez por todas qual cordeiro pascal (Jesus morreu as três da tarde, na mesma hora em que no templo se sacrificavam os cordeiros para a celebração da Páscoa, Mc 15,33-37). B) Esta nova e eterna aliança (baseada no amor), está imprimida em nossos corações: Deus é amor (1Jo 4,8) e o homem foi criado para amar; todo homem/mulher leva dentro de si “a lei do amor”. C) Deus se esqueceu dos nossos pecados: Jesus foi fiel até o fim (Jo 13,1), demonstrando a fidelidade, a verdade e a beleza do amor de Deus para conosco. O apostolo Pedro diz: “O amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pd 4,8) e São Paulo afirma na segunda leitura: “tornou-se causa de salvação eterna” porque o seu gesto de amor obteve o perdão de todos os pecados de todos os tempos. O amor de Deus é maior de qualquer pecado (“Mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão alvos como a neve; ainda que sejam vermelhos como carmesim tornar-se-ão como a lã” -Is 1,18-), até a morte foi vencida por esse amor sem confins (“Pois estou convencido de que nem a morte...” –Rm 8,38-). Deus nunca recusou e nunca recusará um filho arrependido que pede perdão (“Com isto a minha amargura se transformou em bem-estar. Tu preservaste a minha alma do abismo da destruição. Lançaste atrás de ti todos os meus pecados” –Is 38,17-). Papa Francisco já disse inúmeras vezes: “Deus está sempre pronto a nos perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir-lhe perdão”. Portanto a cruz é sinal de amor, é como se Deus dissesse para cada um de nós: “O meu amor para contigo é tão grande, mas tão grande que aceitei de morrer pregado na cruz para não deixar de amar-te”. A Quaresma é o momento para encontrar esse Amor. Não hesitar, começa já agora, não te preocupar se você nunca fez isso, você mesmo se tornará luz para os homens... e o sol continuará surgindo toda manhã na sua vida. Acredite isso no profundo do seu coração e viverá feliz, porque achará o sentido e o significado da sua história e conseguirá ver, nos horizontes desta vida terrena, a misericórdia e a caridade de Deus encontrar-se e “beijar-se” nos corações dos homens para guiá-los na estrada da redenção. Seguir a Jesus significa deixar-se conduzir pelo amor.

III quaresma - B

3º Domingo Quaresma
 
Evangelho - Jo 2,13-25
 
13Estava próxima a Páscoa dos judeus
e Jesus subiu a Jerusalém.
14No Templo,
encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas
e os cambistas que estavam aí sentados.
15Fez então um chicote de cordas
e expulsou todos do Templo,
junto com as ovelhas e os bois;
espalhou as moedas
e derrubou as mesas dos cambistas.
16E disse aos que vendiam pombas:
'Tirai isto daqui!
Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!'
17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde,
que a Escritura diz:
'O zelo por tua casa me consumirá'.
18Então os judeus perguntaram a Jesus:
'Que sinal nos mostras para agir assim?'
19Ele respondeu:
'Destruí, este Templo,
e em três dias o levantarei.'
20Os judeus disseram:
'Quarenta e seis anos foram precisos para a construção 
deste santuário e tu o levantarás em três dias?'
21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo.
22Quando Jesus ressuscitou,
os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito
e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.
Vendo os sinais que realizava,
muitos creram no seu nome.
24Mas Jesus não lhes dava crédito,
pois ele conhecia a todos;
25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser
humano, porque ele conhecia o homem por dentro.
 
 
Reflexão
 
Continua a caminhada quaresmal e a Palavra de Deus depois de ter apresentado a aliança como ponto de partida (I˚ domingo) e a transfiguração como ponto de chegada (II˚ domingo), neste III˚ domingo nos oferece o meio para percorrer o caminho, ou seja, a Lei. A primeira leitura (Ex 20,1-17) enumera os dez mandamentos, o “coração” da Lei que Deus deu a Israel. A palavra Lei, porém pode criar algum problema, porque quando se ouve esta palavra, logo se pensa numa imposição arbitrária; não é uma imposição, mas são as “instruções” para viver a aliança. Quando Deus libertou o povo de Israel, o carregou como “sobre asas de águia” (Ex 19,4), mas uma vez que Israel chegou ao monte Sinai (Ex 19,1-2), Deus quis que Israel fizesse um passo a mais: Deus quis sensibilizá-lo. Tinha chegado o tempo em que Israel devia começar a caminhar “com as próprias pernas”, para exercer plenamente o dom da liberdade. Portanto a Lei é um dom precioso que Deus no seu amor doa a Israel. O povo de Israel poderá sempre contar com uma referência cujo objetivo é ajudar a discernir o bem e o mal. Portanto a Lei não é uma imposição, mas é a maneira, escolhida por Deus, para continuar a levar Israel como “sobre asas de águia” (Ex 19,4), respeitando a liberdade humana e favorecendo o pleno desenvolvimento da pessoa.Observando os mandamentos o coração dos israelitas estará livre de condicionamentos e assim eles poderão distinguir claramente o bem do mal e em plena liberdade fazer a própria escolha para viver santamente, como Deus três vezes santo pediu (Lv 19,2). Somente assim é possivel ver a Lei como a luz que ilumina o caminho, como dom que “liberta a liberdade”. Somente assim é possivel exclamar junto com o salmista: “A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos” (Sl 18,8.9.11). A segunda leitura e o Evangelho nos informam sobre dois aspectos: São Paulo sobre a relação Lei-mundo e o evangelista João sobre o perigo do “legalismo/formalismo”. A segunda leitura (1Cor 1,22-25) é extremamente atual: no mundo domina a força, a violência, a posse; Jesus ensinou o amor, a doação, o perdão: “O que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens” (1Cor 1,25). Deus diz para nós também: “tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). Quem encontra verdadeiramente Jesus não volta mais para trás e os santos são testemunhas muitos luminosas sobre isso. No Evangelho, nos é apresentado o perigo de um culto que não “entra” no nosso dia-a-dia. Deus não quer orações como se fosse um conjunto de formulas; Ele não quer que a missa seja vivida deixando o coração fora da igreja: Deus deseja ter com cada um de nos uma relação de amor; Ele deseja ser para nós um Pai e espera o nosso amor de filhos. Se a nossa relação com Deus é verdadeira, as missas e as orações se encarnam em nós tornando-se uma coisa só com a nossa vida. As leituras de hoje completam a tríade “aliança-transfiguração-Lei” que representa a estrela que indica a direção. O tempo da Quaresma é o momento de (re)descobrir a verdade sobre nós mesmos e sobre Deus; o dia de Páscoa será o momento de unir estas duas “verdades” para começar a viver já nesta terra o ponto de chegada, ou seja, a transfiguração. Deus através da Sua Palavra nos oferece um “caminho”: cabe á nos aceita-lo ou escolher outro. A nossa fundadora, Santa Paula Elisabete, confiou em Deus, aceitou a Sua proposta e chegou a descobrir o verdadeiro rosto de Deus (como Pai) e a verdade sobre ela (uma nova maternidade), descobrindo que aquele caminho era a estrada de volta para o Pai, para a transfiguração. Ela também atravessou a sua sexta-feira santa (a morte dos filhos e do marido), ela também carregou a sua cruz (a solidão e a tristeza do luto), ela também chegou a transfigurar-se (se tornou mãe de muitos outros filhos). A nossa vida é um caminho: saímos da Luz e um dia voltaremos para a Luz, mas cada um de nós deve realizar a sua própria missão para começar a transfigurar-se e com o próprio exemplo ajudar os outros a compreender que o caminho rumo ao Pai é a aventura mais linda que a pessoa humana possa enfrentar. A Palavra de Deus nos propõe uma “transfiguração caminhando” ou um “caminho transfigurador”, mas somente nós, com a nossa liberdade, possamos decidir se vale a pena seguir um homem que dois mil anos atrás disse: “Destruí, este Templo e em três dias o levantarei” (Jo 2,19).