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feliz natal
Misericordiae Vultus
juce

Evangelho do dia

III de Advento - B

Evangelho - Jo 1,6-8.19-28
 
 
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 1,6-8.19-28
 
6Surgiu um homem enviado por Deus;
Seu nome era João.
7Ele veio como testemunha,
para dar testemunho da luz,
para que todos chegassem à fé por meio dele.
8Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz:
19Este foi o testemunho de João,
quando os judeus enviaram de Jerusalém
sacerdotes e levitas para perguntar:
'Quem és tu?'
20João confessou e não negou.
Confessou: 'Eu não sou o Messias'.
21Eles perguntaram: 'Quem és, então?
És tu Elias?'
João respondeu: 'Não sou'.
Eles perguntaram: 'És o Profeta?'
Ele respondeu: 'Não'.
22Perguntaram então: 'Quem és, afinal?
Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram.
O que dizes de ti mesmo?'
23João declarou:
'Eu sou a voz que grita no deserto:
'Aplainai o caminho do Senhor`'
- conforme disse o profeta Isaías.
24Ora, os que tinham sido enviados
pertenciam aos fariseus
25e perguntaram: 'Por que então andas batizando,
se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?'
26João respondeu: 'Eu batizo com água;
mas no meio de vós está aquele
que vós não conheceis,
27e que vem depois de mim.
Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias.'
28Isso aconteceu em Betânia além do Jordão,
onde João estava batizando.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
A liturgia deste quarto domingo do Advento nos propõe a figura de João Batista. Na verdade já no domingo passado a liturgia nos convidou a refletir sobre a figura do Precursor, mas o Evangelho de João, nesta semana, enriquece a narração com mais um elemento. No centro do relato evangélico de João não está mais João Batista, mas sacerdotes e levitas que de Jerusalém foram enviados até ele. Porque estas personagens são tão importantes? Analisando-os podem nos ajudar a verificar como está se desenvolvendo a nossa “caminhada” rumo ao Natal. Por duas vezes se diz que os sacerdotes e levitas foram enviados (Gv 1,19.24): isto significa que eles procuraram João só para “cumprir uma tarefa” e de fato o clima parece o de um interrogatório (se vejam as perguntas deles aos vv. 19.21.22.25). Tudo isso significa que estas pessoas são simplesmente “delegados” que foram enviados com uma finalidade: procurar uma “resposta” para levá-la aos fariseus (v.24). São “funcionários” que, poderíamos dizer, não estão interessados nas perguntas que põem: não tem, por parte deles, compromisso pessoal. Isto nos questiona bastante: como estamos vivendo o precioso tempo do Advento? Estamos nos comprometendo ou como as personagens do Evangelho os nossos comportamentos são algo só de esterno? A nossa única preocupação são os presentes, um presépio bonito, a árvore de Natal? Ou estamos esperando “algo”, ou melhor “Alguém”? Quando João Batista responde ao versículo 23, se define “a voz que grita no deserto” (Gv 1,23) e uma voz anuncia sempre uma coisa ou uma pessoa; no começo, versículo 8, o evangelista diz: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”. Estamos vivendo o Advento como tempo onde escutar a voz que nos anuncia a luz? Estas perguntas tem como objetivo o de nos provocar num sentido “positivo”: vale a pena viver o Advento como o tempo de preparação, “despertando” o nosso coração, para acolher, o dia de Natal, “algo” de maravilhoso? As outras leituras nos ajudam a entender melhor o que deveria acontecer ao longo do Advento. Mais uma vez a iniciativa não é nossa: “[...] ele (Deus) me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas jóias” (Is 61,10). O profeta Isaías, na primeira leitura, põe como sujeito que cumpre a ação o próprio Deus; isto significa que o Advento é um presente de Deus! No dia de Natal iremos receber um “Presente” sem iguais, o menino Jesus, mas Deus, que cumpre o bem santamente bem, nos doa outros “presentes” para que possamos acolher o “Presente”. Que bondade! Que carinho! Acho que não se pode não ficar surpreendidos diante disso. O profeta utilizou algumas “figuras” para definir esses “presentes” de Deus; São Paulo, na segunda leitura, “concretiza” esses presentes: a alegria, o espirito de oração, a capacidade de dar graças em todas as circunstâncias, a força para não apagar o espírito e para não desprezar as profecias, o discernimento para afastar-se de toda espécie de maldade (1Ts 5,16-22). O profeta Isaías, na primeira leitura, chega ás conclusões: “[...] o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Is 61,11) e nós podemos mudar as ultimas palavras: não diante todas as nações, mas em nossos corações, porque somente um coração preenchido pela justiça e paz consegue ouvir a voz do João Batista (que só grita no deserto, o lugar do silencio), reconhece-lo como testemunho da luz e deixar que “o próprio Deus da paz o santifique totalmente” (1Ts 5,23), ou seja, “-espírito, alma, corpo- para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!“ (1 Ts 5,23). Como escreveu Papa Francisco: “[...] uma vida transfigurada pela presença de Deus” (Evangelii Gaudium, n.259). Se tudo isso é somente a preparação (o Advento), podemos imaginar qual maravilha, qual alegria, qual consolação será o dia de Natal. É por isso que precisa preparar-se para acolher o menino Jesus. Desejamos uma vida “transfigurada”? Desejamos um coração “renovado”? Desejamos uma esperança “viva”? Deus nos da à possibilidade de começar a viver o paraíso já nesta terra, mas não força ninguém porque o amor é verdadeiro só quando é livre. Que Nossa Senhora obtenha para cada um de nós a graça de entender qual grandeza “esconde” o Natal, para que nenhum destes dias do Advento vá desperdiçado.
 

 

1 ADVENTO - ANO B

Evangelho - Mc 13,33-37
 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
33Cuidado! Ficai atentos,
porque não sabeis quando chegará o momento.
34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro,
deixou sua casa sob a responsabilidade de seus
empregados, distribuindo a cada um sua tarefa.
E mandou o porteiro ficar vigiando.
35Vigiai, portanto, porque não sabeis
quando o dono da casa vem:
à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
36Para que não suceda que, vindo de repente,
ele vos encontre dormindo.
37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!'
Palavra da Salvação.
 
REFLEXÃO
 
“Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento” (Mc 13,33-37). Assim começa o Evangelho deste domingo, primeiro do tempo do Advento; são palavras que poderiam assustar, porque contêm uma dimensão “apocalíptica”. Na verdade são palavras muito lindas porque “escondem” um encanto e uma beleza incrível. O Advento é o tempo da espera, da preparação. Preparar-se para que? A verdadeira pergunta não deveria ser “para que”, mas “para Quem”! O Advento é o tempo da espera da encarnação de Jesus que iremos festejá-la no dia de Natal. Na nossa vida quando estamos esperando um momento importante nos preparamos para enfrentar aquela situação: estudando antes de uma prova, arrumando a mala antes de uma viagem, limpando a casa antes de uma visita importante... Tem visita mais importante do que a do próprio Jesus? Gostaria de convidar você, querido/a amigo/a, a ficar um momento em silêncio para descer no profundo do seu coração e aí encontrar a resposta. Se a sua resposta foi afirmativa, ou seja, “Jesus para mim é importante”, então vale à pena preparar-se bem e a Igreja nos ajuda dedicando bem quatro domingos a esta preparação. Como disse antes, é bom limpar a casa quando está se esperando uma visita importante. O nascimento de Jesus aconteceu, como fato histórico, dois mil anos atrás, mas graças ao Espírito Santo todo ano este acontecimento “se renova”, “se re-atualiza” em nossos corações, em nossas vidas. A “casa” é o nosso coração, o “visitante” é o próprio Jesus e as “malas” que Ele traz não contêm a roupa d’Ele, mas estão cheias das graças do céu. Portanto precisa preparar o próprio coração para receber estas graças, mas antes de tudo para receber o próprio Jesus. Por isso as palavras que escrevi no começo não devem assustar, mas deveriam acender em cada um/uma de nós uma grande alegria. O profeta Isaías, assim chamou a atenção do povo de Israel para preparar-se ao encontro com Deus: “Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela [...]” (Is 40,1-2); “Suba a um monte alto, mensageira de Sião; levante bem alto a sua voz, mensageira de Jerusalém [...]. Diga ás cidades de Judá: «Aqui está o Deus de vocês!» (Is 40,9); “Cante de alegria, estéril que não dava á luz; exulte com alegre canto, você que não tinha dores de parto [...]” (Is 54,1). O profeta está convidando o povo a exultar, a festejar, a alegrar-se, porque a vinda do Senhor, o encontro com Ele é a coisa mais linda que possa acontecer. O Evangelho deste domingo através da imagem do homem que “ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa” (Mc 13,34), quer nos dizer: «O seu coração não fique preso nas coisas do mundo, porque tem coisas muito mais importantes; desperte o seu coração para que você possa reconhecer que chegou o tempo em que Deus irá visitar o seu povo». A liturgia chama a atenção sobre a vigilância porque a vinda de Jesus é uma alegria tão grande que a língua não pode dizer, nem a palavra expressar e por isso precisa preparar o coração para poder gozar em plenitude deste momento. Na primeira leitura o profeta Isaías sublinha a excepcionalidade deste momento: “Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam” (Is 63,3). O Salmo 79 convida a louvar a Deus: “Visitai a vossa vinha e protegei-a! [...] Daí-nos vida e louvaremos vosso nome!” (Sl 79,15.19). São Paulo na segunda leitura descreve os dons trazidos por Jesus: “Nele (Jesus) fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, [...]. É ele também que vos dará perseverança [...]. Deus é fiel” (1Cor 1,5.8-9). A filosofia de vida, no mundo atual, é a do “carpe diem” para encorajar a não perder nenhuma das experiências que a vida nos oferece. Na verdade esta “regra” deveria ser vivida num outro sentido: vigiar para saber discernir os falsos e os verdadeiros profetas e assim reconhecer o “momento certo”. Cabe a nós saber aproveitar desta graça que nos é concedida: a graça de um encontro a partir do qual toda a vida depende e quem já respondeu afirmativamente (todos os santos), descobriu o caminho para realizar a própria vida.

33 e 34

Evangelho - Mt 25,14-30
 
Como foste fiel na administração de tão
pouco, vem participar de minha alegria.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,14-30
Naquele tempo,
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
14Um homem ia viajar para o estrangeiro.
Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens.
15A um deu cinco talentos,
a outro deu dois e ao terceiro, um;
a cada qual de acordo com a sua capacidade.
Em seguida viajou.
16O empregado que havia recebido cinco talentos
saiu logo,
trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.
17Do mesmo modo, o que havia recebido dois
lucrou outros dois.
18Mas aquele que havia recebido um só,
saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19Depois de muito tempo, o patrão voltou
e foi acertar contas com os empregados.
20O empregado que havia recebido cinco talentos
entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
21O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
22Chegou também o que havia recebido dois talentos,
e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos.
Aqui estão mais dois que lucrei'.
23O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
Como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento,
e disse: `Senhor, sei que és um homem severo,
pois colhes onde não plantaste
e ceifas onde não semeaste.
25Por isso fiquei com medo
e escondi o teu talento no chão.
Aqui tens o que te pertence'.
26O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso!
Tu sabias que eu colho onde não plantei
e que ceifo onde não semeei?
27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco,
para que, ao voltar,
eu recebesse com juros o que me pertence.'
28Em seguida, o patrão ordenou:
`Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
29Porque a todo aquele que tem
será dado mais, e terá em abundância,
mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30Quanto a este servo inútil,
jogai-o lá fora, na escuridão.
Ali haverá choro e ranger de dentes!'
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
A Palavra de Deus, este domingo, nos apresenta uma parábola muito bonita que nos
provoca e nos responsabiliza. Os destinatários da parábola representam a primeira
provocação: os discípulos de Jesus. O que significa o termo “cristão”? Discípulo de
Cristo; então cada um de nós é o destinatário desta parábola! Alguém poderia dizer:
“Eu me contento de ir á missa no domingo, mas não quero responsabilidades”.
Encontrar verdadeiramente Jesus é uma experiência tão “transformadora” que
transmite ao coração uma alegria, um amor, uma paz e uma luz, que nasce em
automático o desejo de levar tudo isso para os outros. Papa Francisco na “Evangelii
Gaudium” diz: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus
tornou-se discípulo missionário (cfr. Mt 28,19). [...] Cada cristão é missionário na
medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus (n.120). Ser
discípulo significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus
(n.127)”. Portanto todos somos seus discípulos! Logo no começo a parábola fala da
bondade do Pai. Cada um de nós tem um papel “pessoal” que nenhum outro tem. Nós
viemos de Deus e temos de voltar para Ele, mas para realizar este caminho todo
homem e toda mulher tem uma “missão” á cumprir, como Jesus: “(Jesus) Sabia
também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus” (Jo 13,3).
Por isso depois de ter ressuscitado Jesus diz para Maria Madalena: “Não me segure,
porque ainda não voltei para o Pai. Mas vá dizer aos meus irmãos: «Subo para junto
do meu Pai [...] »” (Jo 20,17). Jesus realizou a sua missão (revelar o verdadeiro rosto
de Deus -o rosto de um Pai- e ensinar a amar -“ [...] Assim como eu amei vocês,
vocês devem se amar uns aos outros” Jo 13,34-) e agora pode voltar para o Pai. O Pai
na sua imensa bondade doa a cada um de nós os talentos para que cada um possa
cumprir o próprio caminho de volta para o Pai, mas não doa a todos a mesma coisa;
cada um recebe os dons que são necessários para o próprio caminho “pessoal”: “A
um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro um: a cada qual de acordo com a
sua capacidade” (Mt 25,15a). A expressão “em seguida viajou” (Mt 25,15b), significa
que Deus deixa o homem livre. Todo homem e toda mulher tem de descobrir os
talentos que possui e a missão que recebeu: Deus não estabeleceu deste jeito para nos
complicar a existência, mas para que esta “pesquisa”, dia após dia, alimentasse em
nós o conhecimento de Deus, de nós mesmos, da nossa “realidade” e do sentido da
vida e tudo isso alimentasse o nosso amor por Ele. Só o amor livre é verdadeiro amor
e Deus assumiu o “risco” da liberdade. Que sentido maravilhoso, profundo tem a
nossa vida! Encontrando e realizando a própria missão, se começa a construir já nesta
terra aquela “Comunhão” com Deus que se poderá gozar para a eternidade no céu. É
por isso que se pode dizer que a vontade de Deus é a nossa felicidade/realização e
Deus não a impõe arbitrariamente, mas a propõe sugerindo-a ao coração humano.
Tudo isso é a nossa felicidade “em teoria”, porque “na prática” é a nossa liberdade
que decide: todo homem e toda mulher dispõe de uma “espada de dois gumes”
porque a liberdade pode tornar-se o dom mais lindo de Deus ou uma arma
perigosíssima. Como os três empregados da parábola, o homem/mulher é livre de
aceitar o desafio da vida, sair logo, trabalhar com os próprios talentos e lucrar outros
talentos (Mt 25,16-17) e as outras leituras deste domingo nos convidam e encorajem
á fazer isso: “[...] com habilidade trabalham as suas mãos. [...] Proclamem o êxito de
suas mãos e na praça louvem-na as suas obras!” (Pr 31,13.31); “Felizes és tu, se
temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás
feliz, tudo irá bem” (Sl 127,1-2); “Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, [...]
Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. [...] Portanto, não durmamos, como os
outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios” (1Ts 5,4-6). Mas o homem/mulher é
também livre de sair, cavar um buraco na terra e esconder o talento (Mt 25,18). O fim
da parábola pareceria um pouco duro, mas todo dom traz consigo uma
responsabilidade: o papel do homem/mulher é maravilhoso, mas toda ação produz
alguns efeitos e todo efeito comporta uma responsabilidade. Cabe a nós escolher:
podemos descobrir o maravilhoso sentido da vida ou deixar tudo isso num buraco.
 
 

34º Domingo - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo Tempo Comum

 

Evangelho - Mt 25,31-46

 

Assentar-se-á em seu trono glorioso
e separará uns dos outros.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,31-46

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
31Quando o Filho do Homem vier em sua glória,
acompanhado de todos os anjos,
então se assentará em seu trono glorioso.
32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele,
e ele separará uns dos outros,
assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33E colocará as ovelhas à sua direita
e os cabritos à sua esquerda.
34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
`Vinde benditos de meu Pai!
Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou
desde a criação do mundo!
35Pois eu estava com fome e me destes de comer;
eu estava com sede e me destes de beber;
eu era estrangeiro e me recebestes em casa;
36eu estava nu e me vestistes;
eu estava doente e cuidastes de mim;
eu estava na prisão e fostes me visitar'.
37Então os justos lhe perguntarão:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome
e te demos de comer?
com sede e te demos de beber?
38Quando foi que te vimos como estrangeiro
e te recebemos em casa,
e sem roupa e te vestimos?
39Quando foi que te vimos doente ou preso,
e fomos te visitar?'
40Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo,
que todas as vezes que fizestes isso
a um dos menores de meus irmãos,
foi a mim que o fizestes!'
41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda:
`Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno,
preparado para o diabo e para os seus anjos.
42Pois eu estava com fome e não me destes de comer;
eu estava com sede e não me destes de beber;
43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa;
eu estava nu e não me vestistes;
eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar'.
44E responderão também eles:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede,
como estrangeiro, ou nu, doente ou preso,
e não te servimos?'
45Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo,
todas as vezes que não fizestes isso
a um desses pequeninos,
foi a mim que não o fizestes!'
46Portanto, estes irão para o castigo eterno,
enquanto os justos irão para a vida eterna'.
Palavra da Salvação.

 

Reflexão

 
Neste último domingo do Tempo Comum, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Rei do Universo, somos convidados a refletir sobre o trecho do Evangelho de Mateus
conhecido como “o último julgamento” ou “o juízo final”. Estes versículos poderiam
apavorar um pouco, mas de fato nos contam “a coroa da justiça que o Senhor, justo
juiz” (2Tm 4,8) entregará às “ovelhas”, ou seja, a possibilidade de gozar para sempre,
numa maneira plena, aquela “Comunhão” com Deus que os cristãos já construíram
durante a vida nesta terra. A cena do julgamento inclui elementos parabólicos (o Rei,
as ovelhas e os cabritos), mas não se pode minimizar a importância deste texto
transformando-o em simples parábola, nem se pode tomá-lo como uma descrição
“cinematográfica”. A cena se abre com a vinda gloriosa de Jesus (o Filho do Homem,
assim Jesus chama a si mesmo nos Evangelhos), que reúne todos os povos da terra
(v.32), ou seja, todos os homens de todos os tempos (Rm 14,10) e até mesmo se não é
mencionada, a ressurreição deve ser subentendida (Lc 10,15; 11,22-24; 12,41; Jo
5,29). Além desta “moldura/introdução”, o centro da nossa reflexão é o “objeto” do
julgamento. Sobre o que seremos julgados? Qual será a condição para ser colocados á
direita, juntos com as outras ovelhas? Nós seremos julgados segundo nossas obras de
misericórdia (Is 58,7; Jó 22,6; Eclo 7,32) e não segundo nossas ações “excepcionais”
(Lc 7,22). João na sua primeira carta nos esclarece o sentido de tudo isso: “Se alguém
diz: «Eu amo a Deus» e, no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois
quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E
este é justamente o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame
também o seu irmão” (1Jo 4,20-21). È interessante considerar como não será “o Rei”
que nos julgará “diretamente”, mas seremos julgados por nossas ações; a nossa vida
nos julgará como escreveu Paulo: “De fato, todos deveremos comparecer diante do
tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito
durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal” (2Cor 5,10). Cada
um de nós, durante a sua vida, escolhe se pertencer ás ovelhas ou aos cabritos; por
exemplo, se eu vivi amando a Deus e ao meu irmão, eu já “escolhi” de ser colocado á
direita entre as ovelhas (v.33a) e o Rei só “confirmará” aquilo que já escolhi de ser
durante a vida. Isto nos diz que a vida é um dom precioso, que todo instante do nosso
dia-a-dia é importante, que toda situação pode ser transformada numa oportunidade
para fazer o bem: com a nossa liberdade em todo momento decidimos o que
queremos ser agora e para a eternidade. È muito importante entender bem uma coisa.
O cristão não é “obrigado” a fazer o bem só por medo do “juízo final”, mas é
“chamado” a praticá-lo porque o bem é o que realiza o homem: nós fomos criados á
imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26-27) que é Amor e somente conformando-nos
á Ele nós podemos realizar a nossa vida. No começo escrevi que este trecho não deve
nos assustar, mas, ao contrário, alegrar porque como diz a segunda leitura depois de
ter destruído o último inimigo, a morte, “o próprio Filho se submeterá àquele que lhe
submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos” (1Cor 15,28). Deus tudo
em todos: isso é o paraíso, ou seja, a plena comunhão com Deus! Por isso estes
versículos não deveriam assustar, mas fazer germinar dentro de nós uma “alegria
extraordinária e gloriosa” (1Pd 1,8). Naquele dia, como diz a primeira leitura, “Eu
mesmo (Deus) vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar [...].” (Ez 34,), e
cada um de nós com alegria dirá: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta
coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as
águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças [...]. Felicidade e todo
bem hão de seguir-me [...]” (Sl 22,1-3.6).
Desejo a todos vocês uma boa “caminhada” em preparação para o Natal.

Todos os santos

Evangelho - Mt 5,1-12a

 
Alegrai-vos e exultai, porque será
grande a vossa recompensa nos céus.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,1-12a


Naquele tempo:
1Vendo Jesus as multidões,
subiu ao monte e sentou-se.
Os discípulos aproximaram-se,
2e Jesus começou a ensiná-los:
3"Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos,
porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos,
porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos
por causa da justiça,
porque deles é o Reino dos Céus.
11Bem-aventurados sois vós, 
quando vos injuriarem e perseguirem,
e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós,
por causa de mim.
12aAlegrai-vos e exultai,
porque será grande a vossa recompensa nos céus.
Palavra da Salvação.

 

 

Reflexão

O Evangelho “das bem-aventuranças” que a liturgia nos propõe nos ajuda a compreender o que significa a palavra “santidade” e como viveram os santos. Mas como é possível chamar de bem-aventurado quem é pobre, aflito, faminto, perseguido, injuriado? “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra” (Is 55,8-9). Precisamos, portanto, compreender qual é a lógica que está atrás deste discurso de Jesus. Quereria compartilhar com todos vocês algumas reflexões de Bruno Maggioni (italiano, sacerdote da diocese de Como), as quais possuem uma profundidade extraordinária. Por primeiro temos de entender que o conceito fundamental é o da “primazia de Deus”. As bem-aventuranças não são só uma introdução, mas também um discurso programático, o “manifesto” para sublinhar a originalidade dos discípulos de Jesus. È um convite a procurar uma perfeição que encontra a própria medida e justificação na de Deus (Lv 19,2; Mt 5,47-48). Esta perfeição é a totalidade da dedicação a Deus e aos homens. O termo de comparação que determina a perfeição é o comportamento de Deus e não uma idéia de homem, ou seja, não olhar a si mesmo para estabelecer a direção e a medida do próprio viver, mas olhar a Deus, para depois observar os outros e o mundo. As bem-aventuranças não descrevem oito figuras diferentes, mas uma só: a de Jesus Cristo que não somente as proclamou, mas antes de tudo as viveu e os santos se colocaram neste caminho que Jesus nos abriu, o caminho para chegar até o Pai: a santidade. Qual é o caminho e o exemplo que Jesus nos mostrou? O homem não é feito para possuir-se ou conservar-se, mas para entregar-se e doar-se; esta é a idéia de homem que as bem-aventuranças querem transmitir. Tendo como “painel de fundo” estas diretrizes vamos analisar algumas bem-aventuranças para entender quais foram os valores que tornaram extraordinárias as vidas dos santos. O pobre em espírito é aquele que confia em Deus (Sf 3,12); o centro não é a pobreza material, mas a dependência e a confiança total em Deus. Este é o pobre que ama Deus e sobre o qual Deus mantém os olhos fixos (Is 66,2). È por isso que o pobre é bem-aventurado. Os que têm fome e sede de justiça são aqueles que vivem procurando apaixonadamente a vontade de Deus, porque a “justiça” é a vontade de Deus. As duas metáforas da fome e da sede significam a totalidade da busca de Deus. Bem-aventurado é quem emprega tudo o próprio ser na busca de Deus (Mt 6,33). Os puros de coração são aqueles que sabem onde buscar a vontade de Deus e conseguem chegar até o centro; ao contrário, quem não é puro de coração se perde nas minúcias, perdendo o centro e ficando dividido. Ser misericordiosos, promover a paz, ser perseguidos são os lugares onde “dar forma” ao reconhecimento da primazia de Deus. A misericórdia “identifica” Deus e por isso quem a vive se torna sinal da presença d’Ele; a paz é o exemplo do compromisso da solidariedade e a perseguição até o martírio indica a medida deste compromisso. O homem das bem-aventuranças lê numa maneira nova as situações do presente porque confia numa promessa que vai além do mundo presente: Deus é o tudo e não o mundo. Tudo isso foi vivido pelos santos, mas a coisa mais “extraordinária’ é que tudo isso não é só pelos sacerdotes, religiosos, missionarios: é também por todos nós. Cada um de nós pode tornar-se santo na própria situação de pai, mãe, estudante, trabalhador... Em toda situação é possível andar pelo caminho que Jesus nos deixou e que já foi percorrido pelos santos. A Constituição Dogmatica “Lumen Gentium” (Concílio Vaticano II), diz: “Por isso, todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1Tess 4,3; cfr. Ef 1,4).Esta santidade da Igreja incessantemente se manifesta, e deve manifestar-se, nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis; exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, NO SEU ESTADO DE VIDA, tendem à perfeição da caridade, com edificação do próximo; [...] Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam. O Apóstolo admoesta-os a que vivam acorro convém a santos» (Ef. 5,3), acorro eleitos e amados de Deus, se revistam de entranhas de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência» (Col. 3,12) e alcancem os frutos do Espírito para a santificação (cfr. Gál. 5,22; Rom. 6,22). E porque todos cometemos faltas em muitas ocasiões (Tg. 3,2), precisamos constantemente. da misericórdia de Deus e todos os dias devemos orar: «perdoai-nos as nossas ofensas» (Mt. 6,12). É, pois, claro a todos, que os cristãos DE QUALQUER ESTADO OU ORDEM, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano. Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que as dá Cristo, a fim de que, seguindo as Suas pisadas e conformados à Sua imagem, obedecendo em tudo à vontade de Deus, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do Povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos(LG 39-40). A primeira leitura confirma isso: João viu “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas e que ninguém podia contar” (Ap 7,9). A segunda leitura nos diz qual será a conclusão deste caminho: “[...] quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3,2). Semelhantes a Jesus!!! Semelhantes a Deus!!! Verdadeiramente, como diz São Paulo: “o que os olhos não viram e o coração do homem não percebeu, foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9). (Luca Bergamaschi).

 

Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora da Conceição Aparecida
 
NOSSASENHORA
 
Evangelho - Jo 2,1-11
Fazei o que ele vos disser.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2,1-11
 
Naquele tempo:
1Houve um casamento em Caná da Galiléia.
A mãe de Jesus estava presente.
2Também Jesus e seus discípulos
tinham sido convidados para o casamento.
3Como o vinho veio a faltar,
a mãe de Jesus lhe disse:
"Eles não têm mais vinho".
4"Mulher, por que dizes isto a mim?
Minha hora ainda não chegou."
5Sua mãe disse aos que estavam servindo:
"Fazei o que ele vos disser".
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí
para a purificação que os judeus costumam fazer.
Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo:
"Enchei as talhas de água".
Encheram-nas até a boca.
8Jesus disse:
"Agora tirai e levai ao mestre-sala".
E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água,
que se tinha transformado em vinho.
Ele não sabia de onde vinha,
mas os que estavam servindo sabiam,
pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
"Todo mundo serve primeiro o vinho melhor
e, quando os convidados já estão embriagados,
serve o vinho menos bom.
Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!"
11Este foi o início dos sinais de Jesus.
Ele o realizou em Caná da Galiléia
e manifestou a sua glória,
e seus discípulos creram nele.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
Neste domingo celebramos a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira Principal do Brasil. Quereria partilhar com vocês duas atitudes de Maria conteúdas no Evangelho das núpcias de Caná: a intercessão materna e a orientação.
1) Intercessão materna: “Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: «Eles não têm mais vinho»” (Jo 2,3). Maria está no céu como rainha, mas intercede como mãe. A primeira leitura nos ajuda a compreender isso: “[...] foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, [...] O rei olhou para ela com agrado [...]. Então, o rei lhe disse: «O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida»” (Est 5,1b; 7,2b). Podemos ver na rainha Ester que intercede junto ao rei pelo seu povo, a figura de Maria que intercede junto a Jesus por nós. Quando Jesus pregado na cruz confia o discípulo amado a Maria (“Mulher, eis aí o seu filho” -Jo 19,26-), começa para ela uma nova maternidade; Maria se torna mãe da humanidade e qual é a “missão” de uma mãe? Cuidar dos seus filhos. Durante a festa de casamento Maria percebe que algo não está dando certo e imediatamente se volta para Jesus. Neste episódio podemos perceber a ternura e o cuidado que Maria teve e na mesma maneira ela intercede por cada um de seus filhos. Podemos imaginar que nunca Maria está sentada no seu trono nos céus, mas sempre “está em movimento” para alcançar todos os seus filhos. Todas as suas aparições comprovam isso. Guadalupe, Aparecida, La Salette, Lourdes, Pontmain, Fátima, Beaureing, Banneux, Kibeho, Roma, Medjugorje: quando uma situação perigosa estava ameaçando a humanidade, Maria sempre veio para nos advertir. Isso demonstra o imensurável cuidado que ela tem para conosco e podemos ter certeza que Jesus (como o rei da primeira leitura), “com agrado” satisfaz os seus pedidos e suplicas. Bernardo de Claraval dizia: “Olha para a Estrela, invoca Maria”: lá nos céus temos uma intercessora muito, muito poderosa.
2)Orientação: “Sua mãe disse aos que estavam servindo: «Fazei o que ele vos disser»” (Jo 2,5).O cuidado materno de Maria não se limita a entregar para Jesus as nossas orações e intenções. Maria é também a “porta” para alcançar Jesus. São Luís Maria Grignion de Montfort escreveu no seu “Tratado da verdadeira devoção a Santíssima Virgem”: “ad Jesum por Mariam” que significa “a Jesus por Maria”. Em todas as suas aparições Maria não somente apresentou a situação e os perigos, mas sempre indicou os meios (eucaristia, confissão, terço, jejum, novenas, conversão do coração), para aproximar-se a seu Filho. O objetivo dela é levar para Jesus. Ela é a “porta” que oferece a direção certa. O Evangelho de João muitas vezes sublinha que o homem sozinho não pode chegar até Deus (Jo 1,14.18; 3,13; 4,10 ...), assim Deus na sua infinita misericórdia e no seu infinito amor veio até nós e através da sua mãe nos deixou a “Estrela” para encontrar o caminho. Termino com algumas palavras da nossa fundadora Santa Paula Elisabete: “Maria Santíssima [...] vos protegerá dos perigos, se você terá a infelicidade de incorrer; será a sua ajuda, seu apoio, sua esperança, sua consolação. Oh, a grande mãe que temos, oh, a grande mãe! Ninguém que colocou nela a sua esperança se perdeu”. Que Nossa Senhora escute os vossos pedidos e as vossas orações e vos guie ao encontro com a verdadeira felicidade que o coração humano procura: Jesus Cristo. (Luca Bergamaschi).

Mt 21,33-43

27º DOMINGO Tempo Comum

Cor: Verde

 

Evangelho - Mt 21,33-43

 

Arrendou a vinha a outros vinhateiros.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 21,33-43

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes
e aos anciãos do povo:
33Escutai esta outra parábola:
Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em
volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas
e construiu uma torre de guarda.
Depois arrendou-a a vinhateiros,
e viajou para o estrangeiro.
34Quando chegou o tempo da colheita,
o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros
para receber seus frutos.
35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados,
espancaram a um, mataram a outro,
e ao terceiro apedrejaram.
36O proprietário mandou de novo outros empregados,
em maior número do que os primeiros.
Mas eles os trataram da mesma forma.
37Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho,
pensando: `Ao meu filho eles vão respeitar'.
38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre
si: `Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo
e tomar posse da sua herança!'
39Então agarraram o filho,
jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
40Pois bem, quando o dono da vinha voltar,
o que fará com esses vinhateiros?'
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
'Com certeza mandará matar de modo violento esses
perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros,
que lhe entregarão os frutos no tempo certo.'
42Então Jesus lhes disse:
'Vós nunca lestes nas Escrituras:
`a pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular;
isto foi feito pelo Senhor
e é maravilhoso aos nossos olhos'?
43Por isso eu vos digo:
o Reino de Deus vos será tirado
e será entregue a um povo que produzirá frutos.
Palavra da Salvação.

 

REFLEXÃO

 

As leituras desse domingo são muitas lindas porque nos mostram qual deveria ser o verdadeiro papel do homem. Para entender isso como primeiro passo precisa compreender o significado da palavra “vinha” presente na primeira leitura (Is 5,1.7a) e no Evangelho (Mt 21,33.40.41). Em verdade o profeta Isaías, na primeira leitura, já nos explica o significado: “a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel” (v.7a) que recebeu uma terra, a prometida, para produzir “uvas boas”, mas ao contrário produziu “uvas selvagens”. Podemos agora atualizar esta “figura”: a “casa de Israel” somos todos nós e “a vinha” é o mundo. Para desenvolver o caminho que eu gostaria de fazer com vocês, precisa voltar até o primeiro livro da Bíblia, o do Gênesis, porque nos primeiros dois capítulos é conteúdo o plano original do Pai. No capítulo 1 é descrita a criação do mundo e encontramos uma expressão particular que constitui um “refrão”: “E Deus viu que era bom” (vv.10.12.18.21.25). Só depois da criação do homem o “refrão” muda: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (v.31). Isso significa que o homem tem um papel particular. Quereria sublinhar um verbo: “Vejam, eu entrego a vocês [homem e mulher]...” (Gn 1,29). Deus criou tudo o que existe e simplesmente o doou ao homem e a mulher que foram postos no centro da criação. Que gratuidade! Que bondade! Que confiança! Se pode compreender a grandeza, a magnificência do dom que cada um de nós recebeu (além do dom extraordinário da vida). O Homem se tornou “o pastor”, “o guardião” da criação. Isso significa uma grande responsabilidade: cuidar, preservar, vigiar algo que não é nosso mas foi nos doado. Mas Deus foi bem além disso: ”E as [as feras] apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse” (Gn 1,19). Deus deu para o homem a possibilidade de tornar-se com-criador! Deveríamos ficar surpreendidos pela maravilha e gratidão! O salmo 8 exprime muito bem esta maravilha: “O fizeste pouco menos do que um deus e o coroaste de glória e esplendor. O fizeste reinar sobre as obras de tuas mãos e sob os pés dele tudo colocaste: ovelhas e bois, todos eles e as feras do campo também; as aves do céu e os peixes do oceano que percorrem as sendas dos mares” (Sl 8,6-8). Qual foi a resposta do homem e da mulher? Como diz a primeira leitura, produziram frutos de injustiça e iniqüidade (Is 5,7b); ao invés de agradecer a Deus, o homem se esqueceu d’Ele e considerou o mundo uma fonte egocêntrica de posse individual e de dominação dos outros, introduzindo uma profunda desarmonia entre o Criador, o mundo criado e a humanidade. Tudo isso estava acontecendo também no tempo do profeta Isaías e por isso ele com palavras muitos duras anuncia as conseqüências: a vinha será devastada e pisoteada (Is 5,5). Se Deus é vida, afastar-se d’Ele significa “abraçar” a morte e todos nós podemos ver cada dia as conseqüências desse afastamento. Deus, porém não castiga ninguém, é o homem que se castiga a si mesmo através do pecado. Só depois de ter experimentado a amargura das conseqüências o homem sente a saudade de Deus e o salmo 79 o explica muito bem. Deus, porém no seu infinito amor nunca se cansa de procurar o homem: “O proprietário mandou seus empregados... mandou de novo outros empregados em maior número do que os primeiros... enviou-lhes o seu filho” (Mt 21,34.36.37). Podemos acolher o testemunho dos empregados e sobretudo o do filho (Jesus) ou ignorá-los e como as personagens da parábola agarrá-los e apedrejá-los porque “quem pratica o mal tem ódio da luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas” (Jo 3,20). Termino com as palavras da oração de São João Paulo II pela consagração do novo milênio (08/10/2000): “A humanidade está numa encruzilhada. O homem pode reduzir a terra a uma pilha de escombros ou transformá-la em um jardim de paz”. Nós somos “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-14) e cada um tem de propagar esta “Luz”; mais esta “Luz” se propagará e mais a terra se tornará um jardim de paz. Cabe a nós... (Luca Bergamaschi, Noviço). 

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