XIX b
Evangelho - Jo 6,41-51
Naquele tempo:
41 Os judeus começaram a murmurar
a respeito de Jesus, porque havia dito:
'Eu sou o pão que desceu do céu'.
42 Eles comentavam:
'Não é este Jesus, o filho de José?
Não conhecemos seu pai e sua mãe?
Como então pode dizer que desceu do céu?'
Jesus respondeu:
'Não murmureis entre vós.
44 Ninguém pode vir a mim,
se o Pai que me enviou não o atrai.
E eu o ressuscitarei no último dia.
45 Está escrito nos Profetas:
`Todos serão discípulos de Deus.'
Ora, todo aquele que escutou o Pai
e por ele foi instruído, vem a mim.
46 Não que alguém já tenha visto o Pai.
Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.
47 Em verdade, em verdade vos digo,
quem crê, possui a vida eterna.
48 Eu sou o pão da vida.
49 Os vossos pais comeram o maná no deserto
e, no entanto, morreram.
50 Eis aqui o pão que desce do céu:
quem dele comer, nunca morrerá.
51 Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei
é a minha carne dada para a vida do mundo'.
Palavra da Salvação.
Reflexão
O Evangelho do domingo passado terminava com estas palavras de Jesus: «A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou» (Jo 6,29). No Evangelho de hoje Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna” (Jo 6,47). Portanto acho que a “palavra-chave” seja o verbo crer. È muito facil dizer “Eu creio” com palavras, mas è muito mais complicado dizê-lo com o próprio coração, porque isso mexe com a vida. Deixemos que seja um exemplo da Sagrada Escritura a nos ensinar o que significa crer verdadeiramente. No Evangelho de Lucas (Lc 5,1-11) tem este diàlogo entre Jesus e Pedro: “Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca». Simão respondeu: «Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes» (Lc 5,4-5). Imaginemos o contesto: de um lado um pescador “falido” (Pedro), porque não conseguiu pescar nada; de outro lado um desconhecido (Jesus), que não è pescador e que pede de lançar a rede durante o dia, quando todo o mundo sabe que se deve pescar de noite. A resposta de Pedro surpreende: ele lança as redes. Você está atravessando uma situação “negativa” e chega uma pessoa que te pede algo de impossível: esta é a situação em que se encontra Pedro, mas ele obedece, porque crê, porque confia. Crer significa dizer como Pedro: “Não estou entendendo, mas confio em Vós, por isso obedeço e vou para frente”. Jesus hoje fala de ressurreição, de vida eterna e no final afirma que a sua carne é o pão da vida. São afirmações muito fortes que provocam bastante. Não existe a prova cientifica dessas afirmações de Jesus, porque nenhum cientista conseguiu demonstrar a ressurreição ou a vida eterna. Quando me comungo, creio que naquele pedaçinho de pão tem Jesus vivo? Não existe uma resposta cientifica: ou creio ou não creio. O Evangelho de hoje pode ser um conjunto de palavras absurdas ou a revelação da obra maior de Deus: o envio do seu Filho unigênito para que o mundo viva. No meio destas duas possibilidades está cada um de nós: revelação ou mentira? Verdade ou fantasia? Quando eu preciso de ajuda, me ajoelho diante do sacrário ou escuto a primeira “bruxa” que passa? Com o termo “bruxa” não entendo somente uma “pessoa física”, mas também todos aqueles “ídolos” que nos dão (falsa) segurança. Acho que a questão “central” seja: como posso começar a crer ou fortalecer a minha fé? Não precisa fazer solenes ritos exteriores ou cumprir peregrinações em terras distantes; precisa somente começar a “freqüentar” ou Senhor. Como nasce a confiança numa pessoa? Somente freqüentando aquela pessoa. Freqüentar Conhecer = Amizade. Esta é a formula para que possa nascer um laço entre duas pessoas. O Senhor também é uma pessoa viva! Portanto porque não relacionar-se com Ele como se faria com qualquer outra pessoa? Comece a freqüentá-lo, este é o caminho. Eu acredito que a oração é um diálogo com o meu Senhor? Eu acredito que na Missa eu encontro o meu Senhor como “palavra” (as Escrituras) e como “carne” (a Eucaristia)? Verdadeiramente Deus fez qualquer coisa para revelar-se: a criação, a Encarnação, a Escritura, os Santos, o sacerdócio... È como se Ele nos dissesse: “Eu fiz tudo aquilo que era possível para que você pudesse conhecer-me. Agora estou aqui esperando a tua resposta”. Santa Teresa de Lisieux disse que o Senhor está sedento do nosso amor, portanto o momento para decidir-se é hoje (Dt 30,15). Ele está nos esperando de braços abertos como aquele pai que esperava a volta do seu filho (Lc 15,11-32).
XVIII B
JOÂO 6,24-35
Naquele tempo,quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”
Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”.
Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”
Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”.
Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”.
Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.
Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”.
Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.
REFLEXÃO
Jesus lhes disse: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede» (Jo 6,35). Estas palavras de Jesus podem aparecer um pouco “estranhas” porque é absolutamente normal ter fome e sede. A palavra de Deus, porém, há sempre um significado mais profundo. Existem na vida do homem uma fome e uma sede que não sejam “materiais”? Uma fome e uma sede que não podem ser saciadas com nenhuma comida e bebida? Todo homem/mulher tem uma fome/sede dentro de si; um desejo de algo mais. Mas essa fome/sede não se manifesta pelos dores de barriga ou pela garganta seca. Essa fome/sede se manifesta pelas perguntas existenciais. De onde eu venho? Para onde eu vou? Tem alguma coisa depois da morte? Qual é o sentido da vida? Deus existe? O “infinito” é somente uma ilusão? Estas perguntas são tão “barulhentas” que algumas pessoas, não achando a resposta, chegam até o suicídio para fugir delas. Hoje quero tentar com a ajuda da Palavra de Deus de achar a resposta. Por primeiro vejamos se “o mundo” pode nos ajudar. “O mundo” nos propõe muitas coisas para que nós possamos ser felizes e matar essa fome/sede “espiritual”: o sucesso, o poder, o dinheiro, os divertimentos... “O mundo” nos diz: «Mais experiências=mais felicidade». Vamos ver se o mundo tem razão. O sucesso pode durar até muitos anos, mas não é eterno. Um jogador de futebol quando chega a 35/40 anos não pode mais continuar a jogar e quem trabalha na TV acaba ser substituído por alguém mais jovem. Há pessoas que ficam loucas porque perdem a notoriedade e não conseguem mais recuperá-la. Portanto, o sucesso parece dar-te tudo, mas chega um momento em que tudo isso se dissolve. O poder. Para chegar à cadeira mais importante, seja no trabalho, na política ou em qualquer outro sector, é preciso fazer alguns compromissos e sempre surgirá alguém cujo desejo será sentar-se no meu lugar. Portanto quando você chegar ao poder, automaticamente começam as lutas para mantê-lo e a felicidade tanto esperada se torna um espectro. O dinheiro. È incrível como inúmeras pessoas perdem a saúde para acumular dinheiro e depois perdem tudo o dinheiro para recuperar a saúde. Dinheiro=felicidade é uma grande mentira porque mais você tem e mais você deseja ter e este mecanismo acaba para “devorar” a saúde, a mente e a vida das pessoas. Os divertimentos. Sobretudo para os jovens os divertimentos são uma grande ilusão. Eu também quando tinha 18-20 anos pensava que a coisa melhor fosse divertir-se e deixar de lado as grandes questões da vida. Mas quando você chega a 25-30 anos e descobre que você é velho demais para ir às discotecas e olhando para a sua vida toma consciência de não ter construído nada, só existe uma possibilidade: a depressão. Há inúmeros jovens que não sabem o que fazer da própria vida porque, entorpecidos pelos divertimentos, nunca se perguntaram seriamente: “O que devo fazer da minha vida?”. O mundo oferece muitas coisas, mas nada de tudo isso consegue matar aquela fome/sede de algo mais. Vejamos agora a “proposta” de Deus. A Palavra de Deus nos diz que o homem e a mulher vêm do Amor (Gn 1,27; 2,7-8.21-23), são eles mesmos amor (Gn 2,24), se realizam no amor (Jo 13,34; 15,13) e no final voltam para o Amor (1Cor 15,28). Quando eu decido de abrir o meu coração e deixar entrar essa força, esse amor, esse Deus, o amor se torna o meu oxigênio, me transforma, me renova e compreendo que eu sou feito para isso. Mas é possível fazer tudo isso? Jesus em pessoa responde: «A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou» (Jo 6,29). Querido amigo/a comece a viver a S. Missa como um encontro e a oração como um diálogo e o seu coração começará a “pular” porque você haverá descoberto a fonte de água viva (Jo 4,13-14), mas, sobretudo a resposta a todas as perguntas mais profundas e complicadas sobre a vida. A resposta existe, está perto de nós e só precisa ter a vontade de agarrá-la.
XVII ano b
Evangelho - Jo 6,1-15
Naquele tempo:
1Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia,
também chamado de Tiberíades.
2Uma grande multidão o seguia,
porque via os sinais que ele operava
a favor dos doentes.
3Jesus subiu ao monte
e sentou-se aí, com os seus discípulos.
4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
5Levantando os olhos,
e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro,
Jesus disse a Filipe:
'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?'
6Disse isso para pô-lo à prova,
pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer.
7Filipe respondeu:
'Nem duzentas moedas de prata bastariam
para dar um pedaço de pão a cada um'.
8Um dos discípulos,
André, o irmão de Simão Pedro, disse:
9'Está aqui um menino com
cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas o que é isso para tanta gente?'
10Jesus disse:
'Fazei sentar as pessoas'.
Havia muita relva naquele lugar,
e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.
11Jesus tomou os pães,
deu graças
e distribuiu-os aos que estavam sentados,
tanto quanto queriam.
E fez o mesmo com os peixes.
12Quando todos ficaram satisfeitos,
Jesus disse aos discípulos:
'Recolhei os pedaços que sobraram,
para que nada se perca!'
13Recolheram os pedaços
e encheram doze cestos
com as sobras dos cinco pães,
deixadas pelos que haviam comido.
14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado,
aqueles homens exclamavam:
'Este é verdadeiramente o Profeta,
aquele que deve vir ao mundo'.
15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo
para proclamá-lo rei,
Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
Reflexão
“Disse isso para pô-lo à prova, [...]” (Jo 6,6). Neste versículo do Evangelho de hoje há uma provocação muito grande: Jesus põe á prova. Toda vez que rezamos o Pai Nosso, perto da conclusão tem esta expressão: “[...] e não nos deixar cair em tentação [...]”. Seria melhor traduzir: “[...] e não nos abandonar á tentação [...]”, mas em tudo caso há uma “ligação” entre Deus e a tentação. A tentação vem do diabo, mas Deus a permite. Isto significa que a tentação é uma “constante” na vida de todo homem. Eu posso dizer que o diabo não existe, mas a tentação está igualmente presente na minha vida. Então porque Deus permite a tentação? Para que nós possamos crescer e a nossa fé fortalecer-se. È preciso entender muito bem esta “passagem”. Os caminhos do Senhor são tão misteriosos (Is 55,8-11), mas maravilhosos também, que Ele consegue tirar o bem do mal. A tentação é algo que pode afastar o homem de Deus, mas pode também tornar-se uma vitória. São muitos bonitos estes versículos do livro de Judite: “Lembrai-vos do que ele fez a Abraão, de como provou Isaac, do que aconteceu a Jacó na Mesopotâmia da Síria, quando pastoreava as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe. Como ele os provou para sondar os seus corações, assim também não está se vingando de nós, mas, para advertência, o Senhor açoita os que dele se aproximam” (Jt8,26-27). Todos foram tentados, ninguém excluído, até os patriarcas. Duas perguntas “acompanham” a tentação: “Você acredita de verdade em Deus? Você confia de verdade n’Ele?”. È muito fácil amar a Deus quando tudo está certo, mas o verdadeiro amor e a verdadeira fé não se vêem na “fartura”, mas quando as coisas começam a “vacilar”. È muito fácil ficar fiel quando a vida sorri, ao contrário é muito mais difícil quando a vida não se bate bem comigo. Se eu amo verdadeiramente a Deus e se Ele é verdadeiramente a Luz que guia o meu caminho, nada e ninguém podem destruir esse laço. Santa Faustina Kowalska escreveu no seu diário: “Os sofrimentos são uma grande graça. Através do sofrimento a alma se torna semelhante ao Salvador; no sofrimento o amor se cristaliza: maior é o sofrimento, mais puro se torna o amor”. Eu poderia tranquilamente terminar aqui o meu comentário porque estas palavras contêm todas as respostas. No casamento acontece a mesma coisa: as dificuldades, a doença e as “brigas”, podem tornar-se a ocasião para que o amor entre o esposo e a sua esposa se fortaleça até que nem a pior tempestade pode destruiraquele laço que graças ás dificuldades se tornou indestrutível. Portanto as dificuldades não são a motivação para gritar contra Deus, mas a oportunidade para apegar-secom todas as forças a Ele. A nossa vida e a nossa relação com Deus se tornaria uma coisa linda e maravilhosa se todo dia, em particular nas dificuldades, seríamos capazes de dizer-lhe: “Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura e sana todas as feridas. Ensina-me a ter santidade, quero amar somente a ti, porque o Senhor é o meu bem maior, faz um milagre em mim”. O verdadeiro milagre não seria a solução de todos os problemas, mas o meu coração, que se abrindo a Deus descobriria quanto é maravilhoso confiar n’Ele. O versículo seis do Evangelho que citei no começo, assim termina: “[...] pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer” (Jo 6,6). Deus conhece muito bem a força e a fraqueza de cada um de nós e nunca nos abandonará na tentação nem deixará que a tentação nos abale. Na dificuldade não se pergunte onde está Deus, mas na oração procure conhecer o que Deus quer lhe dizer através daquela situação e a sua dificuldade se iluminará de uma nova luz. Santa Paula Elisabete conseguiu, através da oração, transformar a maior desgraça (a perca do último filho e do marido), numa nova oportunidade para renovar a própria vida. Os doze cestos e as cinco mil pessoas saciadas, são o símbolo das novas perspectivas que, depois da prova, se abrem se nós por primeiros nos abrirmos a Deus.Assim o salmo desse domingo: “Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam e vós lhes dais no tempo certo o alimento; vós abris a vossa mão prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura” (Sl 144,15-16). E nós acreditamos de verdade nestas palavras?
São Pedro e são Paulo
São Pedro e São Paulo, Apóstolos . Solenidade
Evangelho - Mt 16,13-19
Naquele tempo:
13Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
14Eles responderam:
"Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".
15Então Jesus lhes perguntou:
"E vós, quem dizeis que eu sou?"
16Simão Pedro respondeu:
"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
17Respondendo, Jesus lhe disse:
"Feliz es tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
18Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra
será desligado nos céus".
Palavra da Salvação.
Reflexão
Mt 16,13-19
Hoje festejamos duas colunas da Igreja primitiva (Gal 2,9): São Pedro e São Paulo. Essa Solenidade é uma oportunidade para refletir sobre a fraqueza humana e a grandeza de Deus. Vejamos mais de perto quem foram São Pedro e São Paulo. Pedro era um pescador (Lc 5,4-5): os horários “irregulares” dessa atividade não permitiam de participar da vida da sinagoga, portanto o pescador era considerado “impuro”. Depois de tornar-se um dos doze, Pedro queria desviar Jesus do caminho da cruz (Mc 8,31-33), não queria que Jesus lhe lavasse os pés (Jo 13,6-8), durante a Paixão chegou a renegar o Senhor por três vezes (Mt 26,69-75; Mc 14,66-72; Lc 22,54-62) e pensava que a violência fosse a solução melhor (Jo 18,10). Jesus, porém consagrou Pedro como pedra e alicerce da Igreja nascente e lhe entregou as chaves do Reino dos céus (Mt 16,19). E Pedro, se deixará encher pelo amor de Deus (Jo 21,15-19), chegando a doar a própria vida pelo Reino de Deus. Vejamos agora São Paulo. Ele era um judeu da tribo de Benjamin, “quanto à Lei, fariseu” (Fil 3,5), “quanto ao zelo, perseguidor da Igreja” (Fil 3,6; Gal 1,13-14; At 8,3) e o seu objetivo era encadear todos os cristãos de Damasco para conduzi-los a Jerusalém (At 9,1-2). Deus, porém revirou a sua vida e Paulo se tornou o “Apóstolo dos Gentios” (At 22,6-21; Gal 1,15-17), levando o ensinamento de Jesus para os pagãos e coroando a sua vida com o martírio (2Tm 4,6). Resumindo: Jesus chamou um pescador violento para fundar a Igreja e um judeu perseguidor da Igreja para difundi-la: possível que Jesus errou chamando as pessoas menos adequadas? Possível que não existiam pessoas melhores do que eles? “Deus vê não como o homem vê, porque o homem toma em consideração a aparência, mas (o Senhor) olha o coração” (1Sam 16,7b). Jesus sabia muito bem os talentos e os defeitos de ambos, mas o desenho sobre eles era muito mais importante. Quando Deus chama uma pessoa, não olha a beleza, o físico, a sabedoria, a riqueza, a nacionalidade, mas simplesmente o coração. Hoje o mundo olha somente a aparência ditando as regras para ser perfeito de fora, esquecendo-se totalmente do interior. Para Deus uma pessoa não é importante porque é rica, tem quatro carros e é dono de duas empresas, mas é importante porque é uma pessoa humana. Quem teria apostado um centavo em Pedro? Jesus “apostou” a Igreja inteira. Para sentir-se realizados não precisa ganhar muito dinheiro, trabalhar na TV ou jogar no Corinthians, mas como fez São Paulo dizer: “[...] quando eu me sinto fraco, é então que sou forte” (2Cor 12,10). Quando eu aceito que sou somente uma pessoa humana e preciso da ajuda de Deus, então descubro o “segredo” da verdadeira força. Por acaso São João Paulo II, a bem-aventurada Teresa de Calcutá ou Santa Paula Elisabete, teriam feito aquilo que fizeram sem a ajuda de Deus? È Deus a nossa força, é Deus a nossa “gasolina”, é Deus a nossa “bússola”. Portanto qualquer pessoa é preciosa, porque qualquer pessoa há uma missão recebida por Deus, até o último dos moradores de rua. Não existe uma vida que é mais valiosa do que a outra, porque todos são amados na mesma maneira por Deus. Se eu começo a confiar verdadeiramente em Deus, verei as maravilhas de Deus na minha vida, a força divina agirá em mim e será possível ver com os olhos de Deus e amar com o coração d’Ele. Não existem melhores e piores; só existem filhos de Deus chamados a realizar a própria vida no amor. A sua vida parece uma “bagunça” sem saída? Imagine os sentimentos de Pedro depois de ter renegado Jesus por três vezes... Foi suficiente reconhecer a necessidade do amor e do perdão de Deus para tornar-se o primeiro papa da Igreja. Para você é a mesma coisa. Comece a reconhecer-se fraco e se tornará capaz de realizar coisas maravilhosas, porque Deus será a sua força.
XII ano B
Evangelho - Mc 4,35-41
35Naquele dia, ao cair da tarde,
Jesus disse a seus discípulos:
'Vamos para a outra margem!'
36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo,
assim como estava na barca.
Havia ainda outras barcas com ele.
37Começou a soprar uma ventania muito forte
e as ondas se lançavam dentro da barca,
de modo que a barca já começava a se encher.
38Jesus estava na parte de trás,
dormindo sobre um travesseiro.
Os discípulos o acordaram e disseram:
'Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?'
39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar:
'Silêncio! Cala-te!'
O ventou cessou e houve uma grande calmaria.
40Então Jesus perguntou aos discípulos:
'Por que sois tão medrosos?
Ainda não tendes fé?'
41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros:
'Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?'
Palavra da Salvação.
Reflexão
O Evangelho de hoje, nos apresenta um símbolo que recorre ao longo de toda a Bíblia: o mar (se veja, por exemplo: Gn 6-8; Ex 14; Sl 74,13-17; 42,7-8; Mt 14,22-33). Mas, na Bíblia, o mar não é um símbolo positivo. Ele representa as trevas, o mal e a morte. No Antigo Oriente se pensava que a criação fosse obra da divindade que domava o mar, símbolo do caos primordial e no livro do Apocalipse o mar representa a origem do mal (Ap 13,1). Vejamos no detalhe o Evangelho de hoje para bem entender a mensagem que o evangelista quer nos transmitir servindo-se do símbolo do mar. Por primeiro, a exclamação de Jesus: “Vamos para a outra margem!” (v.35). Jesus está encorajando os discípulos a ir para frente, mas estas palavras são significativas por nós também. Jesus nos diz: “Coragem! Vive a sua vida! Olhe para frente! A outra margem está lá e precisa alcançá-la!”. Ir para a outra margem, poderia ser a metáfora da nossa vida: a existência do homem é uma passagem e a outra margem é a salvação que deve ser conquistada. Há muitas pessoas hoje que perderam o sentido da vida e a vontade de fazer qualquer coisa. Jesus hoje diz: “A vida é uma só e precisa vive-la bem”. Segundo passo: os discípulos começaram a navegar para a outra margem (v.36). Na frente do “mar”, a coisa melhor não é fugir, mas enfrentá-lo. Somente enfrentando as dificuldades se cresce tornando-se uma pessoa adulta e amadurecida. Mas, para fazer qualquer coisa é necessária a vontade de fazer: quando Jesus curou o homem que estava doente há 38 anos (Jo 5,1-18), por primeiro lhe perguntou: “Queres ficar curado?” (v.6). Em qualquer situação da vida o primeiro remédio é a minha vontade. A sabedoria popular criou este provérbio: “Ajuda-te que o céu te ajudará”. Deus não pode curar uma pessoa que não deseja ser curada e não pode salvar uma pessoa que não quer ser salvada. Terceiro: “Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca [...]” (v.37). A vida não é uma brincadeira e muitos são os obstáculos que precisa superar para chegar á outra margem. O que fazer quando “os ventos” e “as ondas” da vida parecem nos aniquilar? A resposta se encontra no versículo 38: como fizeram os discípulos, invocar o próprio Deus. Mas, para fazer isto precisa ser humilde para reconhecer os próprios limites. Deus não é um “mago” que só se invoca quando todos os outros tentativos já falharam, mas é o Pai que nos carrega “sobre asas de águia” (Ex 19,4). Mas, nós acreditamos nisto? Acreditamos que Deus é o nosso Pai? Acreditamos que Deus pode resolver qualquer situação? Porque eu nunca invocaria uma pessoa na qual eu não confio. Quarto. Deus prontamente ajuda os seus filhos que precisam da sua ajuda: “Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: «Silêncio! Cala-te!»” (v.39). A Bíblia inteira testemunha a paternidade fiel de Deus para com os seus filhos e a cruz de Jesus é a suprema demonstração dessa fidelidade. O Evangelho de hoje, porém não termina com Jesus que resolve a situação, mas termina com estas palavras de Jesus:“Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” (v.40). Imaginemos que a frase de Jesus continue... “Porque você é tão medroso? Porque você está convencido que a sua vida seja uma bagunça sem saída? Porque você pensa que os seus problemas sejam sem solução? Pára um momento... Eu sou Deus, o único Deus, Aquele que fechou o mar com portas e colocou os seus limites (Jó 38,8-10), que caminha ao teu lado, que te ama de um amor eterno. Acredite em mim. Eu ressuscitei Lázaro, troquei a água em vinho, curei os cegos, os coxos, os leprosos, os surdos e amei de um amor que é mais forte do que a própria morte. Deixei-te a minha mãe para que Ela te conduzisse até mim. Acredite em mim. È muito fácil, só precisa dizer de todo coração: «Jesus, eu confio em você»”. O mar poderá ser muito profundo e as ondas muito altas, mas “se Deus está conosco, quem estará contra nós” (Rm 8,31b)?
XI ano B
Evangelho - Mc 4,26-34
Naquele tempo:
26Jesus disse à multidão:
'O Reino de Deus
é como quando alguém espalha a semente na terra.
27Ele vai dormir e acorda, noite e dia,
e a semente vai germinando e crescendo,
mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto:
primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga
e, por fim, os grãos que enchem a espiga.
29Quando as espigas estão maduras,
o homem mete logo a foice,
porque o tempo da colheita chegou'.
30E Jesus continuou:
'Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus?
Que parábola usaremos para representá-lo?
31O Reino de Deus é como um grão de mostarda
que, ao ser semeado na terra,
é a menor de todas as sementes da terra.
32Quando é semeado, cresce
e se torna maior do que todas as hortaliças,
e estende ramos tão grandes,
que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra'.
33Jesus anunciava a Palavra
usando muitas parábolas como estas,
conforme eles podiam compreender.
34E só lhes falava por meio de parábolas,
mas, quando estava sozinho com os discípulos,
explicava tudo.
Reflexão
O Evangelho desse domingo é muito atual e “remédio” para os nossos tempos. Hoje em dia parece que no mundo só existem coisas más. A TV, os quotidianos e internet só contam de acontecimentos negativos: homicídios, suicídios, assaltos, incidentes... Possível que no mundo não acontece nada de bom? Através das duas parábolas de hoje, o Senhor nos diz: “O mal é mais barulhento, mas o bem não para de ir para frente”. Na primeira leitura (Ez 17,22-24), o profeta Ezequiel está anunciando que o povo de Israel voltará para Jerusalém. No 586 a.C. os Babilônios destruíram Jerusalém e o templo de Salomão e deportaram o povo de Israel para Babilônia. Os israelitas estavam totalmente decepcionados: estavam agora numa terra estrangeira, muito longe da terra prometida. Mas Deus não se esqueceu do seu povo e através dos profetas despertou a esperança do povo. Por exemplo, o profeta Isaías anunciou a volta para Jerusalém como uma “segunda criação”, melhor do que a primeira (se veja Is 40-55). O profeta Ezequiel, na leitura de hoje, diz que o povo de Israel no exílio é como um galho da copa do cedro e como um broto, ou seja, a parte menor da árvore, mas o mal (Babilônia), não vencerá. O Senhor tirará esse galho, arrancará esse broto (ou seja, libertará o povo) e o plantará sobre um monte alto e elevado (ou seja, o monte Sião onde será reconstruída Jerusalém). E esse galho, esse broto “produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos” (Ez 17,23). O profeta Ezequiel está dizendo que o bem triunfa sempre e quando parece que seja o contrário, na verdade o bem está “trabalhando” preparando a vitória. O salmo confirma as palavras do profeta: “O justo crescerá como a palmeira, florirá igual ao cedro que há no Líbano” (Sl 91,13). Neste versículo há um particular muito lindo. Deus não somente transformará um broto numa palmeira, mas essa palmeira será como um cedro do Líbano. O cedro do Líbano era uma das árvores mais bonitas, mais majestosas e mais preciosas. Mesmo os reis David e Salomão construíram os seus palácios e o templo com o cedro do Líbano. Tudo isso significa que as obras de Deus não somente alcançam o objetivo, mas alcançam o melhor objetivo possível. De fato os israelitas voltarão para Jerusalém e a cidade e o templo serão reconstruídos com um esplendor ainda melhor do que antes. Quando na nossa vida acontece algo de mal, de negativo ou de dramático, não é o mundo do oculto que pode resolver a situação; só o Senhor pode nos levantar de novo. Quando Santa Paula Elisabete perdeu o último filho e depois alguns meses o marido, parecia que na sua vida não tinha mis nada de bom. Ela procurou só o seu Senhor e Deus a levantou de novo transformando as suas desgraças numa ocasião para transformar-se e nascer a uma vida nova. Por isso ela dizia: “O bem para ser feito bem, deve ser feito santamente bem”; ela tinha aprendido a maneira de agir de Deus (agir santamente) e traduziu tudo isso na sua “nova” vida. O sentido das duas parábolas do Evangelho de hoje é o mesmo: o Reino de Deus é como um grão de mostarda, a menor de todas as sementes (v.31). O que pode fazer a menor de todas as sementes? Ela “vai germinando e crescendo [...] e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra” (v.27.32). Além do mal que há no mundo, além da “cultura de morte” que domina os medias, o bem está presente, trabalha e vai sempre para frente. Como disse no começo, o mal é mais barulhento, mas Deus através do Espírito Santo não para de semear. O bem precisa de tempo: “primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga” (v.28), mas o bem sempre alcança o objetivo, ou seja, a vontade de Deus sempre se realiza. Quando acontece algo de dramático na minha vida como posso saber que além de tudo o bem está indo para frente? Só a fé pode dar-me esta resposta: se eu creio e confio verdadeiramente em Deus, estou convencido que também no sofrimento Ele está perto de mim. Como Deus enviou os profetas para consolar o povo de Israel e como Deus enviou os bisbos Speranza e Valsecchi para consolar Santa Paula Elisabete, também na nossa vida Deus envia profetas e anjos para nos consolar e transformar as nossas situações negativas. Os israelitas confiaram nos profetas e Santa Paula Elisabete confiou nos dois bisbos... E você que agora está sofrendo, olhe ao seu redor e começará a ver os sinais da presença de Deus ao seu lado; presença misteriosa, mas muito, muito concreta.